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Plano de saúde pode negar internação em UTI?

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Por Phelipe Pereira Cardoso — advogado e sócio-fundador do PHC Advogados, na Savassi, em Belo Horizonte/MG.
Tempo de leitura: 8 min · Atualizado em 15/08/2026

A internação em UTI tem cobertura obrigatória nos planos com segmentação hospitalar, sem limite de prazo, valor ou quantidade de dias. Quem define a necessidade do leito é o médico assistente, não a operadora.

A negativa de UTI é das situações mais angustiantes na saúde suplementar, porque acontece no pior momento possível. Conhecer com precisão o que a Lei 9.656/1998 assegura e quais documentos pedir ajuda a agir rápido, ainda dentro do hospital.

O plano de saúde pode negar internação em UTI?

Resposta direta: não, quando o plano tem segmentação hospitalar, as carências estão cumpridas e há indicação médica. O artigo 12, inciso II, alínea “a”, da Lei 9.656/1998 assegura a internação hospitalar sem limitação de prazo, valor máximo e quantidade, incluindo a admissão em centro de terapia intensiva.

A recusa costuma vir travestida de “não autorização de leito” ou “aguardando análise”. Na urgência, demora e negativa produzem o mesmo efeito prático.

O documento que muda o jogo é o relatório do médico assistente descrevendo o quadro e a necessidade do leito intensivo.

O que a lei garante na internação hospitalar?

A cobertura hospitalar abrange internações em clínicas básicas e especializadas, sem limitação de prazo, valor máximo e quantidade, incluindo unidade de terapia intensiva ou similar.

Estão incluídos os exames, os medicamentos, os materiais e os cuidados necessários durante o período de internação, bem como as taxas hospitalares e os honorários dos profissionais envolvidos.

O plano pode limitar os dias de UTI?

Não. A Súmula 302 do Superior Tribunal de Justiça registra que é abusiva a cláusula contratual que limita no tempo a internação hospitalar do segurado.

Cláusulas que fixam um número máximo de diárias de UTI contrariam tanto o texto legal quanto esse entendimento consolidado.

Quem decide se o paciente precisa de UTI?

A indicação é do médico assistente, que acompanha o quadro clínico e responde por ele. A operadora pode fazer análise técnica, mas não substitui a avaliação de quem está à beira do leito.

Havendo divergência técnica, a regulação prevê junta médica com profissional desempatador custeado pela operadora. Esse procedimento não pode ser usado para retardar atendimento urgente.

E se não houver leito de UTI na rede credenciada?

A operadora deve garantir o atendimento. A RN 566/2022 determina que, na indisponibilidade de prestador credenciado, a operadora indique e custeie prestador não credenciado, inclusive em outro município quando necessário, garantindo o transporte do beneficiário.

A ausência de leito também produz consequências clínicas, e a apuração desse agravamento é tratada em falta de vaga em UTI e agravamento do paciente.

Alegar simples falta de vaga não transfere ao paciente o ônus de encontrar leito. A obrigação de garantir o acesso permanece com a operadora.

O plano pode exigir transferência para outro hospital?

A transferência entre unidades da rede credenciada é possível, desde que haja condições clínicas de transporte atestadas pelo médico assistente e que o hospital de destino ofereça o suporte necessário.

Remoção feita sem essas condições, apenas por conveniência administrativa, é passível de questionamento imediato.

O plano pode negar UTI por carência?

Em situação de emergência, com risco imediato de vida, a carência máxima é de 24 horas, conforme o artigo 12, inciso V, alínea “c”, da Lei 9.656/1998.

A Súmula 597 do STJ reforça esse ponto ao considerar abusiva a cláusula que prevê carência superior a 24 horas para urgência e emergência.

E se a negativa for por doença preexistente?

A cobertura parcial temporária pode alcançar, por até 24 meses, procedimentos de alta complexidade, leitos de alta tecnologia e cirurgias relacionados à condição declarada.

Fora dessa relação direta, a restrição não se aplica. E em emergência, a proteção do artigo 35-C da Lei 9.656/1998 assegura o atendimento.

Quanto tempo a operadora tem para responder?

Pela RN 623/2024, em vigor desde 1º de julho de 2025, a resposta conclusiva em urgência e emergência deve ser imediata. A RN 566/2022 também prevê atendimento imediato nessas situações.

Não existe prazo em dias úteis para autorizar UTI em quadro emergencial. Qualquer espera precisa ser registrada com data, hora e protocolo.

A negativa de UTI precisa ser por escrito?

Precisa. A RN 623/2024 determina que a recusa seja entregue por escrito de forma automática, em linguagem clara, com indicação do fundamento contratual ou legal e possibilidade de impressão e download.

Na prática hospitalar, vale pedir o documento ao setor de autorizações e registrar o protocolo do atendimento telefônico.

O plano cobre UTI neonatal e pediátrica?

Sim. O recém-nascido tem cobertura assistencial nos primeiros 30 dias após o parto, conforme o artigo 12, inciso III, alínea “a”, e a internação em unidade neonatal está incluída quando há indicação médica.

Inscrevendo o bebê como dependente em até 30 dias do nascimento, não há exigência de novas carências.

O que fazer diante da negativa de UTI?

Reunir o relatório médico com a indicação do leito, a negativa por escrito e os protocolos de solicitação. Esse conjunto é o que sustenta qualquer providência imediata.

É possível acionar a ANS pela Notificação de Intermediação Preliminar, com prazos curtos, e ingressar com pedido judicial de urgência, cabível quando há risco de agravamento.

Cabe decisão liminar nesses casos?

Pedidos com risco à vida costumam ser analisados em caráter de urgência pelo Judiciário. A concessão depende da documentação apresentada e da demonstração do risco.

Não existe garantia de resultado. O que aumenta a consistência do pedido é a clareza do relatório médico e a prova da recusa ou da demora.

A negativa de UTI gera dano moral?

Não de forma automática. No Tema 1365, julgado pela Segunda Seção do STJ em março de 2026, ficou definido que a simples recusa indevida de cobertura não gera dano moral presumido.

A indenização segue possível quando há prova de repercussão concreta, como agravamento clínico documentado durante a espera pelo leito.

Tabela: cobertura de UTI conforme a situação

Situação Cobertura Base
Plano hospitalar, carências cumpridas Obrigatória, sem limite de dias Art. 12, II, “a”, da Lei 9.656/98
Cláusula que limita diárias de UTI Considerada abusiva Súmula 302 do STJ
Emergência nas primeiras semanas de contrato Cobertura após 24 horas Art. 12, V, “c”, e Súmula 597 do STJ
Sem leito na rede credenciada Operadora indica e custeia prestador fora da rede RN 566/2022
Recém-nascido Cobertura nos primeiros 30 dias Art. 12, III, “a”, da Lei 9.656/98

Perguntas frequentes

1. O plano pode dizer que não há autorização para o leito?

Com indicação médica e cobertura hospitalar, a autorização é devida. A ausência de resposta em quadro emergencial equivale à negativa.

2. Existe número máximo de diárias de UTI?

Não. A limitação temporal de internação é considerada abusiva pela Súmula 302 do STJ.

3. Plano ambulatorial cobre UTI?

Não. A internação exige segmentação hospitalar. No plano ambulatorial, aplica-se a regra de urgência da Resolução CONSU nº 13/1998.

4. Posso ser transferido para o SUS?

Em plano exclusivamente ambulatorial, a remoção para unidade do SUS é prevista, às custas da operadora, quando há necessidade de internação.

5. Consigo reembolso se paguei a UTI?

Quando a cobertura era devida e houve desembolso, é possível pleitear o ressarcimento com notas fiscais, relatórios e a negativa por escrito.

Fontes oficiais consultadas

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Sobre o autor

Advogado Phelipe Pereira Cardoso, do PHC Advogados, em reuniao no escritorio

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Phelipe Pereira Cardoso é advogado desde 2009 e fundador do PHC Phelipe Cardoso Advogados. Atua principalmente em Direito Civil, Empresarial e do Consumidor, com experiência em responsabilidade civil, indenizações, contratos, conflitos patrimoniais e demandas envolvendo empresas e instituições financeiras.

Ao longo de sua trajetória, concedeu entrevistas e contribuiu com análises jurídicas para veículos como TV Globo, TV Record e Rádio Itatiaia, abordando temas de interesse público e questões relevantes das relações civis e de consumo. À frente do PHC, coordena a estratégia jurídica do escritório e combina experiência prática, linguagem clara e tecnologia aplicada ao Direito para conduzir casos de forma técnica, personalizada e orientada à solução.

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