PT EN ES ZH

Erro no laudo de exame de imagem: radiologista e clínica podem responder?

Compartilhe este post

Por Phelipe Pereira Cardoso — advogado e sócio-fundador do PHC Advogados, na Savassi, em Belo Horizonte/MG.
Tempo de leitura: 6 min · Publicado em 14/08/2026

O exame foi feito, o laudo dizia que estava tudo dentro da normalidade e o assunto foi encerrado. Meses depois, um novo exame revelou uma alteração que, revisando as imagens antigas, já estava lá. Entre um momento e outro, houve tempo perdido, tratamento não iniciado e uma sensação difícil de descrever: a de que a resposta existia e ninguém leu direito.

Resposta direta: a interpretação de exames de imagem é atividade técnica sujeita a limites reconhecidos, e nem toda divergência de leitura configura falha. Existe diferença entre uma discordância razoável entre especialistas e um achado evidente que deixou de ser relatado. A apuração examina a qualidade técnica do exame, a adequação do protocolo utilizado, as informações clínicas fornecidas ao radiologista, o conteúdo do laudo e, principalmente, o que o médico solicitante fez com o resultado.

O laudo e a imagem são coisas diferentes

O laudo é a interpretação; a imagem é o dado. Uma revisão técnica posterior só é possível com acesso às imagens em arquivo digital. Por isso, ao solicitar documentação, o pedido deve incluir as imagens originais, e não apenas o texto do laudo impresso.

As informações clínicas fornecidas

A qualidade da leitura depende também do que o solicitante informou. Um pedido que não descreve a suspeita clínica reduz a capacidade de direcionar a análise. O pedido médico costuma constar do prontuário e permite verificar que informações acompanhavam o exame.

O protocolo do exame

Cada suspeita exige determinada técnica: uso ou não de contraste, sequências específicas, cortes em determinada espessura, incidências adequadas. Quando o protocolo utilizado não é compatível com a suspeita, a limitação pode estar na aquisição, e não na interpretação.

Achado evidente e discordância razoável

Este é o centro da análise técnica. Alguns achados são sutis e podem passar despercebidos por profissionais experientes; outros são claros e sua ausência no laudo é difícil de justificar. Essa distinção é feita por avaliação técnica, com base nas imagens do caso, e não pela comparação simples entre dois laudos.

O que o médico solicitante fez com o resultado

Há situações em que o laudo apontou a alteração e ela não gerou conduta. Nesse cenário, a discussão se desloca do radiologista para o profissional que acompanhava o paciente. As datas de liberação do laudo e da consulta seguinte permitem verificar o que ocorreu.

Elemento apurado Documento que costuma responder
O que foi solicitado e por quê Pedido médico com hipótese diagnóstica
Como o exame foi realizado Protocolo técnico e imagens em arquivo digital
O que foi relatado Laudo assinado, com data de liberação
Se houve laudo complementar Revisão ou adendo emitido pelo serviço
O que se fez com o resultado Evolução clínica e prescrições posteriores

Quem costuma ser examinado

O médico radiologista, quanto à interpretação; a clínica ou o serviço de imagem, quanto à estrutura, ao equipamento e à organização; e o profissional solicitante, quanto à conduta adotada diante do resultado. Cada um responde por aquilo que lhe cabia, tema detalhado em responsabilidade do médico e do hospital.

Laudo emitido a distância

É comum que a leitura seja feita remotamente por serviço contratado. Isso não altera a lógica da apuração, mas amplia o número de envolvidos. O prontuário e o laudo costumam identificar o profissional responsável e o serviço emissor.

Documentos que o paciente pode reunir

Imagens em arquivo digital de todos os exames, laudos com datas, pedidos médicos, prontuário das consultas relacionadas, exames posteriores que revelaram o achado e relatórios de tratamento. O passo a passo do pedido está em como obter o prontuário médico.

Danos que costumam ser discutidos

Dependem do impacto do atraso: início tardio de tratamento, necessidade de intervenção mais extensa, agravamento do quadro e despesas. Quando não é possível afirmar que o desfecho seria diferente, a discussão pode se voltar à redução concreta de possibilidades terapêuticas, tema tratado em perda de uma chance.

Limites desta análise

Exames de imagem têm limitações técnicas, e nem todo achado é visível no momento em que o exame foi feito. A avaliação exige revisão das imagens por profissional habilitado, com conhecimento do quadro clínico. Este conteúdo é informativo e não substitui a análise individual do caso.

Perguntas frequentes

Dois laudos diferentes do mesmo exame significam erro?

Não necessariamente. Pode tratar-se de discordância razoável de interpretação. A distinção depende de revisão técnica das imagens.

O laudo apontou a alteração, mas ninguém me avisou. Quem responde?

A discussão se desloca para quem acompanhava o paciente e recebeu o resultado. As datas de liberação do laudo e das consultas seguintes ajudam a esclarecer.

Posso pedir as imagens, e não apenas o laudo?

Sim. As imagens integram o prontuário e podem ser solicitadas em arquivo digital, formato que permite revisão por outro profissional.

O exame foi feito em clínica e o laudo veio de outra empresa. Isso muda algo?

Não altera a lógica da apuração, mas amplia os envolvidos. O laudo costuma identificar o profissional e o serviço responsáveis pela emissão.

Quanto tempo tenho para discutir o caso?

Existem prazos legais que variam conforme a relação jurídica e o momento em que o dano se tornou conhecido. Reunir a documentação sem adiar é a providência prática mais segura.

Fontes oficiais consultadas

Este conteúdo foi elaborado com apoio nas seguintes fontes primárias:

Leia também

Sobre o autor

Advogado Phelipe Pereira Cardoso, do PHC Advogados, em reuniao no escritorio

Siga @phelipecardosoadv no Instagram →

Phelipe Pereira Cardoso é advogado desde 2009 e fundador do PHC Phelipe Cardoso Advogados. Atua principalmente em Direito Civil, Empresarial e do Consumidor, com experiência em responsabilidade civil, indenizações, contratos, conflitos patrimoniais e demandas envolvendo empresas e instituições financeiras.

Ao longo de sua trajetória, concedeu entrevistas e contribuiu com análises jurídicas para veículos como TV Globo, TV Record e Rádio Itatiaia, abordando temas de interesse público e questões relevantes das relações civis e de consumo. À frente do PHC, coordena a estratégia jurídica do escritório e combina experiência prática, linguagem clara e tecnologia aplicada ao Direito para conduzir casos de forma técnica, personalizada e orientada à solução.

Precisa de orientação sobre o seu caso?

Fale com o escritório  ·  Conheça o PHC Advogados  ·  Ver outros artigos

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individual do seu caso por um advogado.

Se inscreva em nossa Newslatter

Fique atualizado e por dentro de tudo que acontece no direito

Outras postagens

Dano moral, material e estético por falha médica podem ser cobrados juntos?

A cicatriz ficou visível. O tratamento consumiu meses de salário. E o impacto emocional se estendeu bem além do alta hospitalar. São três consequências distintas do mesmo episódio, e a dúvida é se elas podem ser discutidas juntas ou se é preciso escolher uma. Resposta direta: os danos moral, material e estético têm fundamentos distintos

Perda de uma chance de cura ou sobrevivência: quando essa tese pode ser aplicada?

Ninguém consegue afirmar que a pessoa teria sobrevivido. Mas também ninguém discute que o diagnóstico demorou, que o exame ficou meses sem ser visto, que o encaminhamento não foi feito. E fica a sensação de que houve uma chance real que simplesmente se perdeu no caminho. Resposta direta: a perda de uma chance é a

Scroll to Top
Rolar para cima