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Erro em radiologia intervencionista: quando o procedimento guiado por imagem causa dano ao paciente?

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Por Phelipe Pereira Cardoso — advogado e sócio-fundador do PHC Advogados, na Savassi, em Belo Horizonte/MG.
Tempo de leitura: 10 min · Atualizado em 04/09/2026

O paciente pode ter direito a reparação quando um procedimento de radiologia intervencionista — feito com auxílio de imagem, como biópsias, drenagens ou embolizações — causa lesão que vai além do risco normal do próprio procedimento, especialmente se faltou avaliação prévia adequada, técnica cuidadosa ou resposta rápida diante de uma complicação percebida durante a execução.

O que é radiologia intervencionista, em termos simples

É a especialidade em que o médico usa imagens em tempo real — ultrassom, tomografia ou raios-X — para guiar instrumentos dentro do corpo do paciente sem precisar de um corte cirúrgico tradicional. Biópsias de órgãos internos, drenagem de líquido acumulado, desobstrução de vasos sanguíneos e embolização para estancar sangramentos são exemplos comuns. A imagem serve como um mapa que orienta o médico até o ponto exato do tratamento.

Por que esses procedimentos têm risco mesmo sendo guiados por imagem

Ainda que a imagem aumente a precisão, o procedimento continua sendo invasivo: um instrumento entra no corpo do paciente, muitas vezes perto de órgãos, vasos e nervos importantes. Sangramento, perfuração de estruturas próximas, infecção e reação a contraste são riscos reconhecidos mesmo quando a técnica é correta. A diferença entre risco aceito e falha está em saber se a complicação decorreu de uma limitação natural do procedimento ou de um cuidado que deveria ter existido e não existiu.

Avaliação antes do procedimento: o que deveria ser checado

Antes de um procedimento guiado por imagem, é esperado que a equipe revise exames anteriores do paciente, histórico de alergias — especialmente a contraste — uso de medicamentos que afetam a coagulação do sangue, e a real necessidade daquele procedimento específico diante de alternativas menos invasivas. Avançar sem essa checagem, ou ignorar um exame que já indicava risco aumentado de sangramento, é um dos pontos que mais aparecem quando se discute falha na conduta médica.

Tipo de complicação O que costuma ser avaliado
Sangramento além do esperado Se havia uso de anticoagulante conhecido e não considerado antes do procedimento
Perfuração de órgão vizinho Se a trajetória do instrumento foi acompanhada corretamente pela imagem durante todo o trajeto
Reação ao contraste Se havia alergia registrada em prontuário e mesmo assim o contraste foi usado
Infecção no local do procedimento Se os cuidados de assepsia foram seguidos e se houve resposta rápida aos primeiros sinais

Consentimento informado em procedimentos guiados por imagem

Muitos pacientes recebem a informação de que o procedimento é “minimamente invasivo” e entendem isso como sinônimo de “sem risco”. Explicar as complicações possíveis, mesmo quando raras, e as alternativas existentes faz parte do dever de informação da equipe médica. Quando essa conversa não acontece de forma clara, o caso pode envolver também uma falha no consentimento informado, além da própria execução técnica do procedimento.

Sinais de que pode ter havido falha na execução

Nem toda complicação indica erro. Mas alguns sinais pedem atenção redobrada: sangramento muito acima do esperado para aquele tipo de procedimento, lesão em órgão que não deveria estar no trajeto planejado, demora perceptível da equipe em perceber ou tratar uma intercorrência durante o procedimento, e explicações vagas ou contraditórias sobre o que aconteceu. A perfuração de órgão durante um procedimento médico é um dos quadros que mais geram dúvida entre complicação aceitável e falha evitável.

Diferença entre erro de execução e erro de interpretação da imagem

Existe uma distinção importante entre dois tipos de problema: o erro na execução do procedimento em si (a agulha ou o cateter causando dano por trajetória mal conduzida) e o erro na leitura da imagem que orienta decisões posteriores, como já ocorre em casos de laudo de exame de imagem malfeito ou de fratura não identificada em um raio-X. Os dois podem gerar responsabilidade, mas por caminhos diferentes: um está na condução das mãos durante o procedimento, o outro está na análise da imagem obtida.

Seu caso envolve uma situação semelhante?

Cada caso possui particularidades e deve ser analisado individualmente. Para informações sobre análise jurídica do seu caso, entre em contato com o escritório.

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Radiação e exposição: um ponto técnico que também é avaliado

Procedimentos guiados por tomografia ou raios-X expõem o paciente à radiação, e o tempo de exposição deveria ser sempre o mínimo necessário para realizar o procedimento com segurança. Exposição excessiva, sem justificativa compatível com a complexidade do caso, é um dos fatores técnicos que podem ser questionados quando há dano relacionado a esse tipo de exposição, embora seja um ponto normalmente avaliado por perícia especializada.

Quem pode responder: o radiologista, a equipe ou o hospital

A resposta depende de onde a falha está localizada. Se o problema foi na condução técnica do procedimento, a responsabilidade tende a recair sobre o médico que o executou. Se a falha está na estrutura — equipamento de imagem inadequado, ausência de suporte para lidar com uma complicação súbita, falta de material de emergência disponível na sala — o hospital ou a clínica também pode ser chamado a responder. Em procedimentos feitos por indicação de outro médico, a avaliação de quem indicou o procedimento também pode entrar na análise, dependendo do caso.

Como reunir provas em caso de suspeita de falha

  • Solicitar cópia completa do prontuário, incluindo imagens do procedimento e relatório técnico do médico
  • Reunir exames feitos antes e depois do procedimento que mostrem a evolução do quadro
  • Buscar uma segunda avaliação técnica com outro especialista em radiologia intervencionista
  • Registrar por escrito as explicações dadas pela equipe assim que a complicação for percebida
  • Procurar orientação jurídica especializada antes de aceitar qualquer proposta do hospital ou plano de saúde

O papel do prontuário e das imagens do procedimento

Diferente de outras áreas da medicina, a radiologia intervencionista costuma gerar um registro visual do que foi feito durante o procedimento — as próprias imagens usadas para guiar o instrumento. Esse material é uma prova valiosa, porque permite a um outro profissional revisar exatamente o trajeto seguido e identificar, com mais precisão do que apenas um relato escrito, se houve desvio da conduta esperada. Por isso, pedir explicitamente essas imagens, e não apenas o relatório final, é um passo que costuma fazer diferença real na análise do caso.

Quando buscar orientação jurídica

Vale procurar orientação assim que houver suspeita fundada de que algo saiu diferente do esperado, sem necessidade de esperar a recuperação completa nem ter certeza técnica absoluta antes de conversar com um advogado. Reunir a documentação logo depois da complicação ajuda a preservar detalhes que, com o tempo, ficam mais difíceis de obter — e também ajuda a entender quanto tempo existe para agir em cada situação, o que varia conforme quem acaba sendo responsabilizado.

Perguntas frequentes

Todo sangramento após um procedimento guiado por imagem indica erro?

Não. Algum grau de sangramento é esperado em vários desses procedimentos. O que indica falha é o sangramento fugir muito do esperado para aquele tipo de intervenção, especialmente sem explicação compatível com o histórico do paciente.

“Minimamente invasivo” significa que não há risco relevante?

Não. O termo indica que não há um corte cirúrgico tradicional, mas o procedimento continua sendo invasivo e carrega riscos próprios, que devem ser explicados ao paciente antes da realização.

É preciso um laudo técnico para provar a falha no procedimento?

Normalmente sim. Como a discussão é técnica, uma avaliação de outro profissional da área — muitas vezes formalizada ao longo do processo — costuma ser necessária para sustentar que houve desvio da conduta esperada.

O hospital pode responder mesmo que o médico tenha agido corretamente?

Pode, quando a falha está relacionada à estrutura oferecida, como equipamento inadequado ou falta de suporte para emergências, e não à conduta pessoal do profissional que executou o procedimento.

Reação alérgica ao contraste sempre gera responsabilidade médica?

Não sempre. Reações são um risco conhecido. A responsabilidade tende a surgir quando havia alergia já registrada em prontuário e o contraste foi usado mesmo assim, sem alternativa ou cuidado adicional.

Quanto tempo depois do procedimento é possível perceber uma falha?

Varia bastante. Algumas complicações aparecem ainda durante o procedimento ou logo depois, enquanto outras, como lesões mais discretas, só ficam evidentes em exames de acompanhamento posteriores.

Conclusão: precisão da imagem não elimina a necessidade de cuidado

A radiologia intervencionista trouxe procedimentos mais rápidos e menos invasivos para diversas situações médicas, mas isso não elimina o risco nem a necessidade de cuidado em cada etapa — da avaliação prévia à execução guiada pela imagem. Quando o dano decorre de uma limitação natural do procedimento, é um risco que o paciente aceitou ao consentir com o tratamento; quando decorre de uma checagem que não foi feita ou de uma resposta lenta diante de um sinal de alerta, a situação pode envolver falha da equipe.

Reunir o prontuário completo, incluindo as imagens do procedimento, e buscar uma avaliação técnica independente são os passos que ajudam a esclarecer o que realmente aconteceu. Diante de dúvida sobre um dano após um procedimento guiado por imagem, vale buscar orientação jurídica especializada para entender as possibilidades do caso concreto.

Fontes oficiais consultadas

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Sobre o autor

Advogado Phelipe Pereira Cardoso, do PHC Advogados, em reuniao no escritorio

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Phelipe Pereira Cardoso é advogado desde 2009 e fundador do PHC Phelipe Cardoso Advogados. Atua principalmente em Direito Civil, Empresarial e do Consumidor, com experiência em responsabilidade civil, indenizações, contratos, conflitos patrimoniais e demandas envolvendo empresas e instituições financeiras.

Ao longo de sua trajetória, concedeu entrevistas e contribuiu com análises jurídicas para veículos como TV Globo, TV Record e Rádio Itatiaia, abordando temas de interesse público e questões relevantes das relações civis e de consumo. À frente do PHC, coordena a estratégia jurídica do escritório e combina experiência prática, linguagem clara e tecnologia aplicada ao Direito para conduzir casos de forma técnica, personalizada e orientada à solução.

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