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Restos de placenta após o parto: quando pode existir falha no atendimento?

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Por Phelipe Pereira Cardoso — advogado e sócio-fundador do PHC Advogados, na Savassi, em Belo Horizonte/MG.
Tempo de leitura: 6 min · Publicado em 15/08/2026

Ela voltou para casa com o bebê. Nos dias seguintes vieram o sangramento que não cessava, o cheiro forte, a febre, a dor no baixo ventre. Procurou o serviço e ouviu que era normal do pós-parto. Quando o ultrassom foi finalmente feito, apareceram restos placentários dentro do útero, e foi preciso um novo procedimento.

Resposta direta: a permanência de fragmentos de placenta nem sempre indica falha, porque a retenção pode ocorrer mesmo com dequitação aparentemente completa. O que se examina é outra coisa: se a placenta foi conferida após a saída, se essa conferência foi registrada, e sobretudo como o serviço respondeu quando a paciente retornou com sinais de alerta. Na maior parte dos casos discutidos, o ponto crítico é o retorno, não o parto.

A conferência da placenta

Após a dequitação, espera-se o exame da placenta e das membranas para verificar integridade. Esse exame deveria estar registrado no prontuário. A ausência de qualquer anotação sobre a conferência, em um caso de retenção, é um achado que costuma ser apontado, ainda que não seja conclusivo isoladamente.

Sinais de alerta no puerpério

Sangramento vermelho vivo persistente ou que aumenta, saída de coágulos volumosos, secreção com odor forte, febre, dor pélvica intensa e útero amolecido são sinais que pedem investigação. Espera-se que essas queixas, quando relatadas, gerem exame físico e solicitação de ultrassom, e não apenas a orientação de aguardar.

O papel do ultrassom

O exame de imagem é o que costuma identificar o material retido. Ele tem limitações e a interpretação nem sempre é simples, porque coágulos podem ter aparência semelhante. Ainda assim, a solicitação do exame diante de sintomas compatíveis é a conduta esperada, e a demora em pedi-lo é um dos pontos mais examinados.

A resposta ao retorno da paciente

Muitos casos envolvem duas ou três passagens pelo pronto atendimento antes da investigação adequada. Cada passagem gera um registro. Comparar o que foi relatado, o que foi examinado e o que foi orientado em cada uma delas é a forma mais objetiva de avaliar se houve demora injustificada.

Complicações possíveis

A retenção pode evoluir com hemorragia, infecção uterina, sepse, necessidade de curetagem ou histeroscopia, formação de aderências intrauterinas e, em casos graves, comprometimento da fertilidade. A extensão dessas consequências é o que dimensiona o dano discutido.

Orientações de alta

O relatório de alta após o parto deveria informar quais sinais exigem retorno imediato. Quando a paciente é liberada sem qualquer orientação registrada e retorna tardiamente com quadro avançado, a discussão alcança também esse dever de informação.

Curetagem e novo procedimento

O tratamento pode exigir novo procedimento, com riscos próprios. A necessidade dele, em si, não demonstra erro anterior. O que se apura é se ele foi indicado no tempo adequado, diante dos sintomas apresentados, e se a paciente foi informada sobre o que estava sendo feito e por quê.

Nem toda retenção decorre de falha

Existem situações em que a placenta sai aparentemente íntegra e ainda assim permanece material, e existem casos de acretismo em que a aderência é anômala. A perícia considera esses cenários antes de qualquer conclusão sobre a conduta.

Documentos que ajudam a reconstruir o caso

Prontuário do parto com o registro da dequitação e da conferência da placenta, relatório e orientações de alta, prontuário de cada retorno ao serviço com horários e queixas registradas, laudos de ultrassom, exames laboratoriais, descrição do procedimento realizado e resultado do exame anatomopatológico do material retirado.

Quem costuma ser examinado

A análise pode alcançar o profissional que conduziu o parto, os que atenderam nos retornos, a maternidade e, em serviços públicos, o ente responsável. Cada um responde por fundamentos distintos.

Limites desta análise

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação individual. A conclusão depende dos registros, da prova técnica sobre a adequação das condutas e da relação entre a demora e o agravamento.

Perguntas frequentes

Ficaram restos de placenta. Isso é sempre erro?

Não. A retenção pode ocorrer sem falha na condução do parto. O eixo da análise costuma ser a resposta do serviço quando surgiram os sintomas.

Voltei três vezes ao pronto-socorro e me disseram que era normal. Isso importa?

Sim. Retornos sucessivos com queixas registradas e sem investigação adequada são o achado mais relevante nesse tipo de caso.

Fiquei com aderências no útero. Isso muda a discussão?

Muda a dimensão do dano, especialmente quando há repercussão sobre a fertilidade, o que exige documentação médica específica.

Posso pedir o resultado do exame do material retirado?

Sim. O laudo anatomopatológico integra o prontuário e pode ser solicitado por escrito, com protocolo.

Quanto tempo tenho para discutir o caso?

O prazo varia conforme a natureza do serviço e o momento em que se teve ciência do dano e de sua autoria. Reunir os prontuários de todas as passagens é o primeiro passo.

Fontes oficiais consultadas

Este conteúdo foi elaborado com apoio nas seguintes fontes primárias:

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Sobre o autor

Advogado Phelipe Pereira Cardoso, do PHC Advogados, em reuniao no escritorio

Siga @phelipecardosoadv no Instagram →

Phelipe Pereira Cardoso é advogado desde 2009 e fundador do PHC Phelipe Cardoso Advogados. Atua principalmente em Direito Civil, Empresarial e do Consumidor, com experiência em responsabilidade civil, indenizações, contratos, conflitos patrimoniais e demandas envolvendo empresas e instituições financeiras.

Ao longo de sua trajetória, concedeu entrevistas e contribuiu com análises jurídicas para veículos como TV Globo, TV Record e Rádio Itatiaia, abordando temas de interesse público e questões relevantes das relações civis e de consumo. À frente do PHC, coordena a estratégia jurídica do escritório e combina experiência prática, linguagem clara e tecnologia aplicada ao Direito para conduzir casos de forma técnica, personalizada e orientada à solução.

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individual do seu caso por um advogado.

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