Tempo de leitura: 9 min · Atualizado em 11/08/2026
O golpe do falso funcionário do banco tornou-se uma das fraudes bancárias mais frequentes no Brasil. Os criminosos entram em contato por telefone, mensagem ou aplicativo, afirmam representar a instituição financeira e convencem a vítima a realizar procedimentos que acabam permitindo transferências, contratação de empréstimos ou acesso indevido à conta bancária.
Resposta direta: nunca forneça senhas, códigos de autenticação ou tokens, e não execute procedimentos orientados durante a ligação.
Diante de qualquer contato de alguém que afirme ser funcionário do banco, encerre a comunicação e confirme a autenticidade pelos canais oficiais da instituição financeira.
Esse tipo de fraude normalmente envolve técnicas de engenharia social, ou seja, manipulação psicológica da vítima para que ela tome decisões acreditando estar protegendo sua conta. Muitas pessoas somente percebem o golpe quando já ocorreram transferências via PIX, contratação de empréstimos ou movimentações bancárias não reconhecidas.
Se o caso já aconteceu, conheça também a página especializada do PHC Advogados sobre fraudes e golpes bancários, onde são reunidas informações sobre as principais modalidades de fraude e as medidas que podem ser analisadas em cada situação.
Como funciona o golpe do falso funcionário do banco?
Resposta direta: Os criminosos entram em contato fingindo representar a instituição financeira e utilizam informações pessoais, linguagem técnica e senso de urgência para convencer a vítima a seguir determinadas instruções.
Normalmente a fraude segue um roteiro semelhante:
- o criminoso liga afirmando ser do setor de segurança do banco;
- informa que identificou uma compra suspeita ou uma tentativa de invasão;
- gera sensação de urgência para impedir que a vítima reflita;
- solicita confirmação de dados pessoais;
- orienta a realização de PIX “de segurança”, instalação de aplicativos ou compartilhamento de códigos de autenticação;
- aproveita o acesso obtido para movimentar valores da conta.
Em muitos casos, os criminosos já possuem algumas informações da vítima, o que aumenta a sensação de credibilidade durante a ligação.
Por que tantas pessoas acreditam na ligação?
Resposta direta: A fraude explora fatores emocionais e comportamentais, utilizando técnicas de engenharia social para criar confiança e sensação de urgência.
Os golpistas costumam utilizar:
- linguagem técnica semelhante à utilizada por instituições financeiras;
- informações pessoais obtidas em vazamentos ou bancos de dados ilícitos;
- números de telefone que aparentam pertencer ao banco;
- pressão psicológica para impedir que a vítima desligue a ligação;
- ameaças de bloqueio imediato da conta.
O objetivo é fazer com que a vítima execute procedimentos acreditando estar protegendo seu patrimônio, quando na verdade está facilitando a ação criminosa.
Quais são os sinais mais comuns desse golpe?
Resposta direta: Existem alguns comportamentos que costumam aparecer com frequência nas fraudes envolvendo falsos funcionários de bancos.
- pedido para informar senhas ou códigos recebidos por SMS;
- orientação para realizar PIX para uma “conta segura”;
- pedido para instalar aplicativos de acesso remoto;
- ameaças de bloqueio imediato da conta;
- pressão para não desligar a ligação;
- pedido para ignorar orientações constantes no próprio aplicativo bancário.
Bancos normalmente disponibilizam canais oficiais para confirmação de operações e não costumam solicitar que clientes realizem transferências para proteger recursos.
O que fazer imediatamente se perceber que caiu no golpe?
Resposta direta: Agir rapidamente pode ser importante para reduzir prejuízos e preservar provas relevantes.
- Entre imediatamente em contato com a instituição financeira pelos canais oficiais.
- Solicite o bloqueio preventivo dos acessos, quando necessário.
- Altere senhas do aplicativo e do internet banking.
- Revise dispositivos autorizados.
- Guarde todos os protocolos fornecidos pelo banco.
- Preserve comprovantes, extratos e registros das conversas.
- Analise a necessidade de registrar boletim de ocorrência conforme as circunstâncias.
Também é importante verificar se houve alteração de telefone, e-mail ou outros dados cadastrais vinculados à conta.
Quais provas devem ser preservadas?
Resposta direta: A documentação produzida logo após a descoberta da fraude costuma ser essencial para reconstruir os fatos.
É recomendável guardar:
- prints das conversas;
- registros das ligações;
- extratos bancários;
- comprovantes das transferências;
- protocolos de atendimento;
- e-mails enviados pela instituição financeira;
- SMS recebidos;
- comprovantes de eventual instalação de aplicativos.
Também vale registrar horários aproximados das ligações e das movimentações bancárias.
Qual é a diferença entre esse golpe e outros tipos de fraude?
Resposta direta: Embora frequentemente resulte em transferências via PIX, a principal característica dessa modalidade é a manipulação da vítima por alguém que se apresenta como representante da instituição financeira.
| Tipo de fraude | Como normalmente ocorre | Objetivo do criminoso | Providência inicial |
|---|---|---|---|
| Falso funcionário do banco | Ligação ou mensagem simulando atendimento oficial | Convencer a vítima a fornecer informações ou realizar operações | Encerrar o contato e procurar o banco pelos canais oficiais |
| Golpe do PIX | Transferência fraudulenta ou induzida | Receber valores imediatamente | Comunicar rapidamente a instituição financeira |
| Conta bancária invadida | Acesso indevido ao aplicativo bancário | Movimentar recursos sem autorização | Bloquear acessos e alterar senhas |
| Cartão clonado | Compras não reconhecidas | Utilizar dados do cartão | Bloquear o cartão e contestar as operações |
Se o problema envolveu acesso indevido ao aplicativo bancário, consulte também o artigo Conta bancária invadida: o que fazer nas primeiras horas. Caso a fraude tenha ocorrido por meio de transferências instantâneas, leia Golpe do PIX: o banco deve devolver o dinheiro?.
O banco pode ser responsabilizado?
Resposta direta: A resposta depende da análise das circunstâncias específicas de cada caso e das provas produzidas.
As instituições financeiras estão submetidas ao Código de Defesa do Consumidor, conforme entendimento consolidado pela Súmula 297 do Superior Tribunal de Justiça.
Também merece destaque a Súmula 479 do STJ, segundo a qual as instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos decorrentes de fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias.
Isso não significa que toda fraude gera automaticamente restituição de valores ou indenização. Cada situação exige análise individual, considerando fatores como mecanismos de segurança, perfil das operações, documentação disponível e demais circunstâncias do caso.
O Código de Defesa do Consumidor pode ser aplicado?
Resposta direta: Sim, em diversas situações envolvendo serviços bancários, observadas as características específicas do caso concreto.
O artigo 14 do CDC trata da responsabilidade decorrente de defeitos na prestação do serviço e costuma integrar discussões envolvendo segurança bancária.
Já o artigo 6º, inciso VIII, prevê a possibilidade de inversão do ônus da prova quando presentes os requisitos legais e mediante decisão judicial.
Esses dispositivos não dispensam a análise dos fatos e das provas existentes em cada situação.
Como evitar esse tipo de golpe?
Resposta direta: Confirmar qualquer contato diretamente com o banco e desconfiar de pedidos urgentes costuma ser uma das medidas preventivas mais importantes.
- não informe senhas por telefone;
- não compartilhe códigos enviados por SMS;
- não instale aplicativos indicados durante ligações inesperadas;
- encerre a ligação e utilize exclusivamente os canais oficiais da instituição financeira;
- mantenha aplicativos e sistemas atualizados;
- ative recursos de autenticação disponíveis.
Perguntas frequentes
O banco realmente liga para confirmar fraudes?
Resposta direta: Instituições financeiras podem entrar em contato com clientes em determinadas situações, mas pedidos de senhas, códigos de autenticação ou transferências merecem atenção especial e devem ser confirmados pelos canais oficiais.
Posso desligar a ligação mesmo que a pessoa diga ser do banco?
Resposta direta: Sim. É recomendável encerrar o contato e procurar a instituição financeira utilizando exclusivamente os canais oficiais divulgados pelo próprio banco.
Recebi um SMS durante a ligação. Isso prova que era o banco?
Resposta direta: Não necessariamente. A coincidência entre mensagens e ligações não confirma a legitimidade do contato.
Se eu autorizei o PIX durante a ligação, ainda assim meu caso pode ser analisado?
Resposta direta: Sim. Cada situação deve ser examinada individualmente, considerando as circunstâncias da fraude, a atuação da instituição financeira e as provas disponíveis.
Quando procurar orientação jurídica?
Resposta direta: Sempre que houver prejuízo decorrente da fraude, negativa da instituição financeira ou necessidade de avaliar quais medidas podem ser cabíveis.
Cada caso possui características próprias. A forma como ocorreu o contato, os procedimentos realizados, a documentação preservada e a atuação da instituição financeira podem influenciar a análise jurídica.
Para conhecer mais sobre golpes bancários e recuperação de valores, acesse também a página do PHC Advogados sobre fraudes e golpes bancários. Caso precise falar com a equipe, utilize a página de contato do escritório. Outros conteúdos relacionados estão disponíveis no blog do PHC Advogados.
Este conteúdo possui finalidade exclusivamente informativa e não substitui a análise individualizada de um caso concreto por um advogado.
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Sobre o autor

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Phelipe Pereira Cardoso é advogado desde 2009 e fundador do PHC Phelipe Cardoso Advogados. Atua principalmente em Direito Civil, Empresarial e do Consumidor, com experiência em responsabilidade civil, indenizações, contratos, conflitos patrimoniais e demandas envolvendo empresas e instituições financeiras.
Ao longo de sua trajetória, concedeu entrevistas e contribuiu com análises jurídicas para veículos como TV Globo, TV Record e Rádio Itatiaia, abordando temas de interesse público e questões relevantes das relações civis e de consumo. À frente do PHC, coordena a estratégia jurídica do escritório e combina experiência prática, linguagem clara e tecnologia aplicada ao Direito para conduzir casos de forma técnica, personalizada e orientada à solução.
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Fontes oficiais consultadas
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