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Publicidade enganosa e publicidade abusiva: como identificar

Vitrine de loja de rua em dia ensolarado com manequins neutros e placas sem texto

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Por Phelipe Pereira Cardoso — advogado e sócio-fundador do PHC Advogados, na Savassi, em Belo Horizonte/MG.
Tempo de leitura: 10 min · Publicado em 06/08/2026

Qual é a diferença entre publicidade enganosa e publicidade abusiva?

Resposta direta: A legislação prevê a proibição do uso de anúncios que induzam o consumidor em erro ou promovam valores contrários à proteção social quando estiverem presentes determinados requisitos legais e as provas da mensagem veiculada. Em situações como esta, normalmente são analisados a veracidade das informações prestadas, o impacto da omissão de dados essenciais e o desrespeito a valores éticos e sociais.

A comunicação mercadológica é uma ferramenta legítima utilizada pelos fornecedores para promover seus produtos e serviços no comércio. Contudo, o ordenamento jurídico impõe limites rigorosos às peças publicitárias, vedando práticas que possam ludibriar o comprador quanto às características reais do bem ou que explorem vulnerabilidades sociais e psicológicas.

Diferenciar uma publicidade enganosa de uma abusiva é fundamental para fundamentar queixas e exigir providências perante os órgãos de fiscalização. Enquanto a enganosidade afeta o conhecimento do consumidor sobre o preço, qualidade ou quantidade, a abusividade fere valores coletivos e a integridade da relação de consumo.

Como se caracteriza a publicidade enganosa por afirmação falsa ou por omissão?

A publicidade enganosa ocorre quando o anúncio contém qualquer informação inteira ou parcialmente falsa, ou quando omite dados essenciais capazes de induzir o comprador ao erro. A mensagem enganosa por comissão envolve a divulgação direta de dados inverídicos sobre a origem, durabilidade, composição ou utilidade da mercadoria ofertada.

Já a modalidade por omissão verifica-se quando a peça publicitária deixa de informar aspectos cruciais da contratação, tais como restrições de uso, incidência de taxas obrigatórias ou prazos curtos de validade. A inclusão de condições escondidas em letras miudas ou rodapés ilegíveis não afasta o caráter enganoso da mensagem. Para consultar outros termos técnicos aplicáveis, vale verificar o glossário de direito do consumidor.

O que define tecnicamente uma publicidade abusiva na relação de consumo?

A publicidade abusiva é aquela que desrespeita valores ambientais, sociais e éticos da coletividade, independentemente de haver erro direto sobre o produto. Enquadram-se nessa categoria os anúncios discriminatórios de qualquer natureza, aqueles que incitam à violência ou que exploram o medo, a superstição ou a inexperiência das pessoas.

O texto legal confere especial proteção ao público infantil, reputando abusiva a mensagem publicitária que se aproveita da deficiência de julgamento e da vulnerabilidade da criança para impor o consumo de bens ou serviços. A veiculação de conteúdos que estimulem o comportamento prejudicial à saúde ou à segurança do consumidor também atrai a incidência das sanções administrativas e civis estipuladas na legislação.

Como funcionam as regras sobre influenciadores digitais e promoções enganosas?

A divulgação de produtos e serviços promovida por influenciadores digitais em redes sociais deve observar o princípio da identificação publicitária de forma ostensiva e imediata. O público possui o direito de saber, de maneira clara, que o conteúdo visualizado decorre de uma parceria comercial remunerada ou do envio de cortesias.

Outra prática monitorada envolve a realização de promoções com estoque irrisório para atrair clientes ao estabelecimento sem a capacidade de atendimento, bem como a utilização do chamado preço riscado artificial, em que o fornecedor eleva o preço dias antes para simular um desconto inexistente. Práticas que alteram valores arbitrariamente relacionam-se também com as situações tratadas na análise sobre cobrança indevida em compra online.

O que fazer quando o estabelecimento recusa o cumprimento do anúncio?

Toda informação ou publicidade suficientemente precisa veiculada por qualquer meio vincula o fornecedor que a fez veicular ou dela se utilizou. Se a empresa se recusa a cumprir a oferta apresentada no informe publicitário, o comprador pode exigir o cumprimento forçado da obrigação nos exatos termos anunciados.

Outra possibilidade é aceitar outro produto ou prestação de serviço equivalente ao ofertado originalmente. O comprador dispõe ainda da opção de rescindir o contrato com a devolução da quantia eventualmente antecipada, devidamente atualizada. A condução de pleitos em cenários onde a mercadoria não é entregue no tempo divulgado encontra-se no material sobre compra atrasada ou não entregue.

Como reunir provas eficientes do anúncio e da oferta descumprida?

A fundamentação do pedido de reparação por publicidade incorreta exige a colheita diligente de elementos de prova que demonstrem o conteúdo divulgado. No ambiente virtual, a captura de tela (print) deve ser realizada de forma integral, exibindo o endereço eletrônico da página (URL), o horário e a data visíveis na barra do sistema.

Em anúncios de rádio, televisão ou material impresso, a preservação do panfleto, a indicação do horário da veiculação e o depoimento de testemunhas que presenciaram a oferta complementam a instrução probatória. O histórico de mensagens eletrônicas trocadas com o suporte é indispensável para comprovar a recusa do comerciante. As orientações para organização desses comprovantes estão disponíveis no guia prático como reunir provas e reclamar na relação de consumo.

Onde denunciar práticas de publicidade ilícita no mercado?

A constatação de anúncios enganosos ou abusivos autoriza a formalização de denúncias perante os órgãos de defesa do consumidor e entidades de autorregulamentação publicitária. O registro do fato no Procon do município e no portal Consumidor.gov.br notifica o fornecedor para prestar esclarecimentos e adequar a sua mensagem comercial.

A apuração de infrações coletivas pode ser levada também ao conhecimento do Ministério Público e dos órgãos de proteção aos direitos da criança quando o anúncio atingir o público infantil. Quando a divulgação irregular envolver intermediadores ou vendedores em plataformas virtuais, aplicam-se os parâmetros analisados no artigo sobre responsabilidade do marketplace.

Tabela comparativa entre enganosidade por afirmação, omissão e abusividade

Modalidade da Publicidade Como se caracteriza no anúncio Exemplo Prático na Oferta
Enganosa por Afirmação Apresentação direta de dados incorretos ou falsos sobre o bem. Divulgar que o produto é de couro natural sendo de material sintético.
Enganosa por Omissão Ocultação de dados essenciais para a decisão de compra. Omitir a incidência de taxas de entrega obrigatórias adicionais.
Abusiva Fere valores éticos, ambientais ou explora a fragilidade do público. Incitamento a comportamentos de risco ou pressão sobre crianças.

Checklist para agir diante de publicidades irregulares

  • Salvar cópias de panfletos, e-mails ou capturas de tela do anúncio publicitário integral.
  • Conferir se os dados essenciais de preço, frete e restrições estão presentes na mensagem.
  • Verificar se influenciadores digitais identificaram a publicação como publicidade comercial.
  • Solicitar por escrito ao estabelecimento o cumprimento das condições veiculadas no anúncio.
  • Anotar protocolos e guardar conversas que comprovem a recusa do cumprimento da oferta.
  • Registrar reclamação no portal Consumidor.gov.br e nos órgãos locais de proteção ao consumidor.
  • Avaliar o recurso às vias judiciais caso a prática de publicidade ilícita gere prejuízo patrimonial.

Fontes oficiais e legislação aplicável

A regulação da publicidade no mercado de consumo e a vedação de práticas enganosas e abusivas fundamentam-se nas normas do Código de Defesa do Consumidor e nas diretrizes de comércio eletrônico. Acompanhe as fontes oficiais a seguir.

Perguntas frequentes sobre publicidade enganosa e abusiva

A identificação de anúncios irregulares suscita dúvidas sobre a obrigatoriedade da entrega e o alcance da publicidade em redes sociais. Acompanhe as respostas para os principais questionamentos.

A empresa é obrigada a vender pelo preço impresso por erro em folheto?

A legislação prevê a vinculação da oferta, salvo nas hipóteses de erro crasso e desproporcional no valor, que revele equívoco de digitação perceptível a qualquer pessoa.

Como provar que uma postagem de rede social era uma publicidade não sinalizada?

A legislação prevê a necessidade de transparência na identificação publicitária, sendo a prova produzida pelo contexto do vídeo, uso de links de afiliados e marcações da marca.

O estabelecimento pode exigir a devolução do panfleto para conceder o desconto?

A legislação prevê que a retenção do anúncio pelo comerciante não afasta o dever de cumprir a oferta divulgada perante os consumidores que tomarem conhecimento.

A cobrança por produto diverso do anunciado permite a devolução do valor?

A legislação prevê que a recusa da oferta anunciada autoriza a rescisão do contrato com a devolução integral das quantias desembolsadas devidamente atualizadas.

Onde denunciar anúncios em vídeo que utilizam apelos comerciais direcionados a crianças?

A legislação prevê o encaminhamento de denúncias sobre publicidade abusiva infantil aos Procons regionais e ao Ministério Público para a apuração de infrações tutelares.

Conclusão prática sobre o combate à publicidade incorreta

A observância dos princípios da transparência e da veracidade na veiculação de anúncios publicitários favorece o equilíbrio nas decisões de consumo do cidadão. Aceitar sem questionamento ofertas omissas, condições mascaradas em letras miúdas ou o descumprimento injustificado de promoções reduz a efetividade dos instrumentos de proteção estabelecidos na norma protetiva.

A guarda criteriosa dos materiais promocionais, combinada com a notificação imediata do fornecedor e o acionamento dos canais públicos de fiscalização, forma a postura necessária para repelir abusos mercadológicos. O exercício consciente do direito de exigir o cumprimento da mensagem publicitária preserva a boa-fé nas relações de comércio.

Conteúdo elaborado pela Equipe PHC Advogados. Revisado de acordo com a política editorial do escritório e atualizado periodicamente.

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Sobre o autor

Advogado Phelipe Pereira Cardoso, do PHC Advogados, em reuniao no escritorio

Siga @phelipecardosoadv no Instagram →

Phelipe Pereira Cardoso é advogado desde 2009 e fundador do PHC Phelipe Cardoso Advogados. Atua principalmente em Direito Civil, Empresarial e do Consumidor, com experiência em responsabilidade civil, indenizações, contratos, conflitos patrimoniais e demandas envolvendo empresas e instituições financeiras.

Ao longo de sua trajetória, concedeu entrevistas e contribuiu com análises jurídicas para veículos como TV Globo, TV Record e Rádio Itatiaia, abordando temas de interesse público e questões relevantes das relações civis e de consumo. À frente do PHC, coordena a estratégia jurídica do escritório e combina experiência prática, linguagem clara e tecnologia aplicada ao Direito para conduzir casos de forma técnica, personalizada e orientada à solução.

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