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Prazo de patente e domínio público: quando termina a proteção

Ampulheta sobre mesa de escritório ao lado de documentos técnicos de uma invenção e um produto tecnológico

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Por Phelipe Pereira Cardoso — advogado e sócio-fundador do PHC Advogados, na Savassi, em Belo Horizonte/MG.
Tempo de leitura: 12 min · Atualizado em 11/08/2026

No Brasil, a patente de invenção vigora por 20 anos e a patente de modelo de utilidade por 15 anos, contados da data do depósito. Encerrado o prazo ou ocorrendo outra causa de extinção, o objeto deixa de estar protegido por aquela patente e pode ser explorado por terceiros, respeitados outros direitos e exigências regulatórias.

A data da concessão não reinicia a contagem. Também não é correto aplicar atualmente, de modo geral, os antigos prazos mínimos contados da concessão, pois o parágrafo único do artigo 40 da Lei da Propriedade Industrial foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.

Quanto tempo dura cada modalidade?

A patente de invenção possui prazo legal de 20 anos contado do depósito. O modelo de utilidade possui prazo de 15 anos, também contado do depósito.

A contagem a partir do depósito significa que o período de exame administrativo consome parte da vigência. Se a patente é concedida muitos anos depois, o tempo restante será menor.

O prazo é definido pela modalidade e não pelo setor econômico. Patentes mecânicas, eletrônicas, químicas ou farmacêuticas seguem a regra geral, sem prejuízo de normas específicas que não alterem indevidamente a contagem legal.

Situação Prazo ou efeito básico Ponto de atenção
Patente de invenção 20 anos do depósito Pode extinguir antes por outras causas
Modelo de utilidade 15 anos do depósito Não se confunde com desenho industrial
Pedido em exame Ainda não é patente concedida Existem efeitos provisórios previstos em lei
Patente expirada Fim da exclusividade patentária Outros direitos podem permanecer
Patente extinta antecipadamente Proteção termina antes do prazo máximo Verificar motivo e data na RPI

Por que o prazo começa no depósito?

O depósito estabelece a data jurídica do pedido e sua posição em relação a outras tecnologias. A partir dele, o documento passa por exame formal, publicação e análise técnica.

Contar da concessão criaria prazo variável conforme a duração do exame. A regra atual estabelece limite objetivo a partir do protocolo.

A data de prioridade pode ser importante para novidade e anterioridade, mas não deve ser confundida automaticamente com a data utilizada para calcular a vigência brasileira. O processo concreto precisa ser consultado.

O antigo prazo mínimo ainda se aplica?

A redação anterior da LPI estabelecia que a vigência não seria inferior a dez anos para patente de invenção e sete anos para modelo de utilidade contados da concessão, salvo impedimento judicial ou força maior reconhecida.

O Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional essa extensão automática. Assim, a regra geral vigente é de 20 ou 15 anos contados do depósito.

Conteúdos antigos ainda podem repetir o prazo mínimo. A situação de patentes concedidas antes da decisão exige consulta individual, pois houve definição de efeitos e tratamento específico para determinados casos.

Não se deve calcular a validade apenas acrescentando dez anos à concessão. A base do INPI e as publicações oficiais precisam ser verificadas. Esse ponto se conecta com guia de propriedade industrial.

Pedido de patente já concede exclusividade?

O depósito cria expectativa de direito, mas a patente somente é concedida depois do exame e da decisão favorável.

A LPI assegura ao titular direito de buscar indenização pela exploração indevida ocorrida entre a publicação do pedido e a concessão, dentro dos limites do objeto finalmente patenteado.

Se a pessoa teve conhecimento do conteúdo antes da publicação, existem regras específicas para o período considerado. O direito depende da futura concessão e das reivindicações aprovadas.

Não se deve apresentar o pedido pendente ao mercado como patente definitivamente concedida.

A patente pode terminar antes do prazo máximo?

Sim. A patente pode extinguir-se pela expiração, renúncia, caducidade, falta de pagamento da retribuição anual ou inobservância de determinadas obrigações legais.

Ela também pode ser anulada se foi concedida em desacordo com a legislação. Nulidade e extinção possuem fundamentos e efeitos diferentes.

Por isso, a simples conta de 20 anos não confirma que a patente está vigente. É necessário consultar seu histórico, pagamentos, decisões e anotações.

Como funcionam as anuidades?

Pedidos e patentes estão sujeitos a retribuições anuais nas condições previstas pelo INPI. A falta de pagamento pode provocar arquivamento do pedido ou extinção da patente.

Existem prazos ordinários e mecanismos específicos de pagamento ou restauração, conforme a fase. Valores, códigos e procedimentos devem ser conferidos na tabela oficial vigente.

Uma empresa que licencia ou adquire patente deve auditar anuidades. Um contrato não mantém o direito ativo se as obrigações perante o INPI forem ignoradas.

Renúncia coloca a tecnologia em domínio público?

O titular pode renunciar à patente, observados direitos de terceiros. A renúncia extingue a exclusividade patentária na extensão aceita.

Antes de renunciar, devem ser revisadas licenças, garantias, financiamentos e contratos. A patente pode estar vinculada a interesses de terceiros.

A renúncia não transfere a patente para outra empresa. Ela encerra o direito, ressalvadas consequências e outros ativos relacionados.

O que é caducidade da patente?

A caducidade é medida excepcional relacionada à frustração da exploração depois de etapas previstas em lei. Ela não decorre automaticamente do simples desuso.

A legislação exige que o mecanismo de licença compulsória tenha sido utilizado sem resultado suficiente e estabelece requisitos temporais e materiais.

O INPI publicou manual específico para o procedimento. A caducidade de patente não deve ser confundida com caducidade de marca, que possui estrutura diferente.

O que significa domínio público?

Quando a proteção patentária termina, a solução revelada pode ser utilizada por terceiros sem autorização do antigo titular daquela patente. Saiba mais sobre patente internacional pela via PCT.

O domínio público favorece difusão tecnológica, concorrência e desenvolvimento de aperfeiçoamentos. A sociedade recebe acesso à informação em contrapartida à exclusividade temporária concedida ao inventor ou titular.

Entretanto, domínio público da patente não significa liberação de todos os elementos comerciais ligados ao produto.

Outros direitos podem continuar existindo?

Sim. O nome e o logotipo podem estar protegidos por marca. A aparência ornamental pode possuir registro de desenho industrial. Software pode receber proteção autoral, e documentação pode conter obras protegidas.

Também podem existir patentes posteriores de aperfeiçoamento. A patente básica expira, mas determinada melhoria ainda pode estar vigente.

Informações não divulgadas e protegidas como segredo de negócio podem continuar confidenciais, desde que não sejam necessárias para executar o conteúdo revelado na patente.

Patente expirada elimina exigências regulatórias?

Não. A ausência de exclusividade patentária não substitui autorização sanitária, certificação técnica, licença ambiental ou registro de produto.

Uma empresa pode estar livre para utilizar a tecnologia sob a ótica daquela patente e ainda não poder comercializá-la por falta de autorização regulatória.

Também deve verificar normas de segurança, responsabilidade por produto e requisitos setoriais.

Como saber se uma patente está realmente vigente?

É necessário consultar a base oficial do INPI e a Revista da Propriedade Industrial. O histórico deve indicar depósito, concessão, anuidades, transferências, licenças, extinções e decisões.

A folha de rosto do documento mostra dados importantes, mas pode não refletir eventos posteriores. A situação jurídica precisa ser atualizada.

Para exploração internacional, a consulta deve ocorrer em cada território. Uma patente pode estar vigente no Brasil e expirada, anulada ou inexistente em outro país.

Família de patentes e datas diferentes

A mesma invenção pode possuir pedidos relacionados em diversos países. Cada membro da família tem processo, vigência e situação próprios.

A expiração do pedido brasileiro não significa que a tecnologia esteja livre em todos os mercados. Também não garante que outra patente brasileira de aperfeiçoamento não alcance o produto.

A análise deve identificar quais reivindicações são relevantes para a operação planejada.

Certificado de adição termina quando?

O certificado de adição protege aperfeiçoamento ou desenvolvimento introduzido no objeto de patente de invenção, mesmo sem atividade inventiva independente nas condições legais.

Sua vigência acompanha a patente principal. Ele não cria novo prazo de 20 anos a partir do depósito do aperfeiçoamento.

A empresa precisa considerar essa vinculação ao avaliar duração e licenciamento.

Posso patentear novamente a mesma invenção?

Não se obtém nova patente válida apenas repetindo matéria já conhecida para prolongar exclusividade. A tecnologia publicada integra o estado da técnica. Entenda melhor patente de invenção antes de decidir.

Aperfeiçoamentos posteriores podem ser patenteáveis se apresentarem novidade, atividade inventiva e demais requisitos. A proteção recairá sobre o aperfeiçoamento, não sobre a matéria antiga em domínio público.

Mudanças triviais ou novas redações não justificam extensão artificial.

Como funciona a liberdade de operação após a expiração?

A expiração de uma patente relevante é um dado importante, mas não conclui a análise. O produto pode incorporar várias tecnologias protegidas por títulos diferentes.

Uma busca de liberdade de operação deve mapear reivindicações vigentes no território, titulares, licenças e datas.

Também é necessário comparar o produto real com as reivindicações, e não apenas com desenhos ou títulos.

Patente e concorrência após o domínio público

Depois da expiração, concorrentes podem utilizar a solução técnica, mas não devem criar confusão sobre origem empresarial nem reproduzir marca ou apresentação protegida.

A publicidade pode informar características técnicas, desde que respeite concorrência leal e não sugira vínculo inexistente com o antigo titular.

Contratos e segredos obtidos ilicitamente também não se tornam livres pela expiração da patente.

Como planejar o fim da patente?

O titular deve acompanhar a vigência e desenvolver estratégia antes da expiração. Isso pode incluir aperfeiçoamentos legítimos, marca forte, serviços, know-how, eficiência produtiva e relacionamento com clientes.

Licenciados precisam verificar se royalties continuam devidos depois da expiração e se o contrato inclui outros ativos. Cláusulas que misturam patente, tecnologia e assistência devem ser analisadas.

Compradores de tecnologia devem calcular o valor considerando o prazo restante, não apenas a existência do certificado.

Erros comuns na contagem

Os erros mais frequentes são contar 20 anos da concessão, aplicar automaticamente o antigo prazo mínimo e ignorar anuidades.

Também é inadequado considerar que pedido pendente já possui todos os direitos de patente concedida ou que expiração no Brasil libera exploração mundial.

Outro erro é supor que domínio público da patente libera marca, desenho, software, dados e autorizações regulatórias.

Perguntas frequentes

Patente de invenção dura 20 anos depois da concessão?

Não. A regra geral é de 20 anos contados da data do depósito, e não da concessão.

Modelo de utilidade dura quanto tempo?

Sua vigência é de 15 anos contados do depósito, observadas causas de extinção antecipada.

Posso fabricar assim que a patente expira?

A expiração elimina a exclusividade daquele título, mas devem ser verificadas outras patentes, registros, contratos e exigências regulatórias.

Patente sem anuidade paga continua válida até os 20 anos?

Não necessariamente. A falta de pagamento pode provocar extinção, observados os procedimentos aplicáveis.

Uma melhoria patenteada prolonga a patente antiga?

Não. A melhoria pode ter proteção própria se atender aos requisitos, mas não retira do domínio público a matéria da patente anterior expirada.

Conclusão

O prazo patentário deve ser contado do depósito: 20 anos para invenção e 15 para modelo de utilidade. A concessão tardia não gera, como regra atual, novo prazo mínimo contado da decisão.

Para confirmar domínio público, é necessário consultar o histórico oficial e verificar extinção, anuidades, família, patentes de aperfeiçoamento e outros direitos. A data isolada não substitui a análise da tecnologia e das reivindicações vigentes.

Fontes oficiais consultadas

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Sobre o autor

Advogado Phelipe Pereira Cardoso, do PHC Advogados, em reuniao no escritorio

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Phelipe Pereira Cardoso é advogado desde 2009 e fundador do PHC Phelipe Cardoso Advogados. Atua principalmente em Direito Civil, Empresarial e do Consumidor, com experiência em responsabilidade civil, indenizações, contratos, conflitos patrimoniais e demandas envolvendo empresas e instituições financeiras.

Ao longo de sua trajetória, concedeu entrevistas e contribuiu com análises jurídicas para veículos como TV Globo, TV Record e Rádio Itatiaia, abordando temas de interesse público e questões relevantes das relações civis e de consumo. À frente do PHC, coordena a estratégia jurídica do escritório e combina experiência prática, linguagem clara e tecnologia aplicada ao Direito para conduzir casos de forma técnica, personalizada e orientada à solução.

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individual do seu caso por um advogado.

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