Tempo de leitura: 12 min · Atualizado em 11/08/2026
No Brasil, a patente de invenção vigora por 20 anos e a patente de modelo de utilidade por 15 anos, contados da data do depósito. Encerrado o prazo ou ocorrendo outra causa de extinção, o objeto deixa de estar protegido por aquela patente e pode ser explorado por terceiros, respeitados outros direitos e exigências regulatórias.
A data da concessão não reinicia a contagem. Também não é correto aplicar atualmente, de modo geral, os antigos prazos mínimos contados da concessão, pois o parágrafo único do artigo 40 da Lei da Propriedade Industrial foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.
Quanto tempo dura cada modalidade?
A patente de invenção possui prazo legal de 20 anos contado do depósito. O modelo de utilidade possui prazo de 15 anos, também contado do depósito.
A contagem a partir do depósito significa que o período de exame administrativo consome parte da vigência. Se a patente é concedida muitos anos depois, o tempo restante será menor.
O prazo é definido pela modalidade e não pelo setor econômico. Patentes mecânicas, eletrônicas, químicas ou farmacêuticas seguem a regra geral, sem prejuízo de normas específicas que não alterem indevidamente a contagem legal.
| Situação | Prazo ou efeito básico | Ponto de atenção |
|---|---|---|
| Patente de invenção | 20 anos do depósito | Pode extinguir antes por outras causas |
| Modelo de utilidade | 15 anos do depósito | Não se confunde com desenho industrial |
| Pedido em exame | Ainda não é patente concedida | Existem efeitos provisórios previstos em lei |
| Patente expirada | Fim da exclusividade patentária | Outros direitos podem permanecer |
| Patente extinta antecipadamente | Proteção termina antes do prazo máximo | Verificar motivo e data na RPI |
Por que o prazo começa no depósito?
O depósito estabelece a data jurídica do pedido e sua posição em relação a outras tecnologias. A partir dele, o documento passa por exame formal, publicação e análise técnica.
Contar da concessão criaria prazo variável conforme a duração do exame. A regra atual estabelece limite objetivo a partir do protocolo.
A data de prioridade pode ser importante para novidade e anterioridade, mas não deve ser confundida automaticamente com a data utilizada para calcular a vigência brasileira. O processo concreto precisa ser consultado.
O antigo prazo mínimo ainda se aplica?
A redação anterior da LPI estabelecia que a vigência não seria inferior a dez anos para patente de invenção e sete anos para modelo de utilidade contados da concessão, salvo impedimento judicial ou força maior reconhecida.
O Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional essa extensão automática. Assim, a regra geral vigente é de 20 ou 15 anos contados do depósito.
Conteúdos antigos ainda podem repetir o prazo mínimo. A situação de patentes concedidas antes da decisão exige consulta individual, pois houve definição de efeitos e tratamento específico para determinados casos.
Não se deve calcular a validade apenas acrescentando dez anos à concessão. A base do INPI e as publicações oficiais precisam ser verificadas. Esse ponto se conecta com guia de propriedade industrial.
Pedido de patente já concede exclusividade?
O depósito cria expectativa de direito, mas a patente somente é concedida depois do exame e da decisão favorável.
A LPI assegura ao titular direito de buscar indenização pela exploração indevida ocorrida entre a publicação do pedido e a concessão, dentro dos limites do objeto finalmente patenteado.
Se a pessoa teve conhecimento do conteúdo antes da publicação, existem regras específicas para o período considerado. O direito depende da futura concessão e das reivindicações aprovadas.
Não se deve apresentar o pedido pendente ao mercado como patente definitivamente concedida.
A patente pode terminar antes do prazo máximo?
Sim. A patente pode extinguir-se pela expiração, renúncia, caducidade, falta de pagamento da retribuição anual ou inobservância de determinadas obrigações legais.
Ela também pode ser anulada se foi concedida em desacordo com a legislação. Nulidade e extinção possuem fundamentos e efeitos diferentes.
Por isso, a simples conta de 20 anos não confirma que a patente está vigente. É necessário consultar seu histórico, pagamentos, decisões e anotações.
Como funcionam as anuidades?
Pedidos e patentes estão sujeitos a retribuições anuais nas condições previstas pelo INPI. A falta de pagamento pode provocar arquivamento do pedido ou extinção da patente.
Existem prazos ordinários e mecanismos específicos de pagamento ou restauração, conforme a fase. Valores, códigos e procedimentos devem ser conferidos na tabela oficial vigente.
Uma empresa que licencia ou adquire patente deve auditar anuidades. Um contrato não mantém o direito ativo se as obrigações perante o INPI forem ignoradas.
Renúncia coloca a tecnologia em domínio público?
O titular pode renunciar à patente, observados direitos de terceiros. A renúncia extingue a exclusividade patentária na extensão aceita.
Antes de renunciar, devem ser revisadas licenças, garantias, financiamentos e contratos. A patente pode estar vinculada a interesses de terceiros.
A renúncia não transfere a patente para outra empresa. Ela encerra o direito, ressalvadas consequências e outros ativos relacionados.
O que é caducidade da patente?
A caducidade é medida excepcional relacionada à frustração da exploração depois de etapas previstas em lei. Ela não decorre automaticamente do simples desuso.
A legislação exige que o mecanismo de licença compulsória tenha sido utilizado sem resultado suficiente e estabelece requisitos temporais e materiais.
O INPI publicou manual específico para o procedimento. A caducidade de patente não deve ser confundida com caducidade de marca, que possui estrutura diferente.
O que significa domínio público?
Quando a proteção patentária termina, a solução revelada pode ser utilizada por terceiros sem autorização do antigo titular daquela patente. Saiba mais sobre patente internacional pela via PCT.
O domínio público favorece difusão tecnológica, concorrência e desenvolvimento de aperfeiçoamentos. A sociedade recebe acesso à informação em contrapartida à exclusividade temporária concedida ao inventor ou titular.
Entretanto, domínio público da patente não significa liberação de todos os elementos comerciais ligados ao produto.
Outros direitos podem continuar existindo?
Sim. O nome e o logotipo podem estar protegidos por marca. A aparência ornamental pode possuir registro de desenho industrial. Software pode receber proteção autoral, e documentação pode conter obras protegidas.
Também podem existir patentes posteriores de aperfeiçoamento. A patente básica expira, mas determinada melhoria ainda pode estar vigente.
Informações não divulgadas e protegidas como segredo de negócio podem continuar confidenciais, desde que não sejam necessárias para executar o conteúdo revelado na patente.
Patente expirada elimina exigências regulatórias?
Não. A ausência de exclusividade patentária não substitui autorização sanitária, certificação técnica, licença ambiental ou registro de produto.
Uma empresa pode estar livre para utilizar a tecnologia sob a ótica daquela patente e ainda não poder comercializá-la por falta de autorização regulatória.
Também deve verificar normas de segurança, responsabilidade por produto e requisitos setoriais.
Como saber se uma patente está realmente vigente?
É necessário consultar a base oficial do INPI e a Revista da Propriedade Industrial. O histórico deve indicar depósito, concessão, anuidades, transferências, licenças, extinções e decisões.
A folha de rosto do documento mostra dados importantes, mas pode não refletir eventos posteriores. A situação jurídica precisa ser atualizada.
Para exploração internacional, a consulta deve ocorrer em cada território. Uma patente pode estar vigente no Brasil e expirada, anulada ou inexistente em outro país.
Família de patentes e datas diferentes
A mesma invenção pode possuir pedidos relacionados em diversos países. Cada membro da família tem processo, vigência e situação próprios.
A expiração do pedido brasileiro não significa que a tecnologia esteja livre em todos os mercados. Também não garante que outra patente brasileira de aperfeiçoamento não alcance o produto.
A análise deve identificar quais reivindicações são relevantes para a operação planejada.
Certificado de adição termina quando?
O certificado de adição protege aperfeiçoamento ou desenvolvimento introduzido no objeto de patente de invenção, mesmo sem atividade inventiva independente nas condições legais.
Sua vigência acompanha a patente principal. Ele não cria novo prazo de 20 anos a partir do depósito do aperfeiçoamento.
A empresa precisa considerar essa vinculação ao avaliar duração e licenciamento.
Posso patentear novamente a mesma invenção?
Não se obtém nova patente válida apenas repetindo matéria já conhecida para prolongar exclusividade. A tecnologia publicada integra o estado da técnica. Entenda melhor patente de invenção antes de decidir.
Aperfeiçoamentos posteriores podem ser patenteáveis se apresentarem novidade, atividade inventiva e demais requisitos. A proteção recairá sobre o aperfeiçoamento, não sobre a matéria antiga em domínio público.
Mudanças triviais ou novas redações não justificam extensão artificial.
Como funciona a liberdade de operação após a expiração?
A expiração de uma patente relevante é um dado importante, mas não conclui a análise. O produto pode incorporar várias tecnologias protegidas por títulos diferentes.
Uma busca de liberdade de operação deve mapear reivindicações vigentes no território, titulares, licenças e datas.
Também é necessário comparar o produto real com as reivindicações, e não apenas com desenhos ou títulos.
Patente e concorrência após o domínio público
Depois da expiração, concorrentes podem utilizar a solução técnica, mas não devem criar confusão sobre origem empresarial nem reproduzir marca ou apresentação protegida.
A publicidade pode informar características técnicas, desde que respeite concorrência leal e não sugira vínculo inexistente com o antigo titular.
Contratos e segredos obtidos ilicitamente também não se tornam livres pela expiração da patente.
Como planejar o fim da patente?
O titular deve acompanhar a vigência e desenvolver estratégia antes da expiração. Isso pode incluir aperfeiçoamentos legítimos, marca forte, serviços, know-how, eficiência produtiva e relacionamento com clientes.
Licenciados precisam verificar se royalties continuam devidos depois da expiração e se o contrato inclui outros ativos. Cláusulas que misturam patente, tecnologia e assistência devem ser analisadas.
Compradores de tecnologia devem calcular o valor considerando o prazo restante, não apenas a existência do certificado.
Erros comuns na contagem
Os erros mais frequentes são contar 20 anos da concessão, aplicar automaticamente o antigo prazo mínimo e ignorar anuidades.
Também é inadequado considerar que pedido pendente já possui todos os direitos de patente concedida ou que expiração no Brasil libera exploração mundial.
Outro erro é supor que domínio público da patente libera marca, desenho, software, dados e autorizações regulatórias.
Perguntas frequentes
Patente de invenção dura 20 anos depois da concessão?
Não. A regra geral é de 20 anos contados da data do depósito, e não da concessão.
Modelo de utilidade dura quanto tempo?
Sua vigência é de 15 anos contados do depósito, observadas causas de extinção antecipada.
Posso fabricar assim que a patente expira?
A expiração elimina a exclusividade daquele título, mas devem ser verificadas outras patentes, registros, contratos e exigências regulatórias.
Patente sem anuidade paga continua válida até os 20 anos?
Não necessariamente. A falta de pagamento pode provocar extinção, observados os procedimentos aplicáveis.
Uma melhoria patenteada prolonga a patente antiga?
Não. A melhoria pode ter proteção própria se atender aos requisitos, mas não retira do domínio público a matéria da patente anterior expirada.
Conclusão
O prazo patentário deve ser contado do depósito: 20 anos para invenção e 15 para modelo de utilidade. A concessão tardia não gera, como regra atual, novo prazo mínimo contado da decisão.
Para confirmar domínio público, é necessário consultar o histórico oficial e verificar extinção, anuidades, família, patentes de aperfeiçoamento e outros direitos. A data isolada não substitui a análise da tecnologia e das reivindicações vigentes.
Fontes oficiais consultadas
- Lei nº 9.279/1996 — Lei da Propriedade Industrial
- INPI — Perguntas frequentes sobre patentes
- INPI — Manual básico para proteção por patentes
- Supremo Tribunal Federal — ADI 5.529
- INPI — Manual do usuário de caducidade da patente
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Sobre o autor

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Phelipe Pereira Cardoso é advogado desde 2009 e fundador do PHC Phelipe Cardoso Advogados. Atua principalmente em Direito Civil, Empresarial e do Consumidor, com experiência em responsabilidade civil, indenizações, contratos, conflitos patrimoniais e demandas envolvendo empresas e instituições financeiras.
Ao longo de sua trajetória, concedeu entrevistas e contribuiu com análises jurídicas para veículos como TV Globo, TV Record e Rádio Itatiaia, abordando temas de interesse público e questões relevantes das relações civis e de consumo. À frente do PHC, coordena a estratégia jurídica do escritório e combina experiência prática, linguagem clara e tecnologia aplicada ao Direito para conduzir casos de forma técnica, personalizada e orientada à solução.
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