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Lesão após raquianestesia ou peridural: quando investigar a atuação do anestesista?

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Por Phelipe Pereira Cardoso — advogado e sócio-fundador do PHC Advogados, na Savassi, em Belo Horizonte/MG.
Tempo de leitura: 6 min · Publicado em 15/08/2026

A cirurgia terminou, mas a perna não voltou. Ou voltou parcialmente, com dormência que não passa, fraqueza, dificuldade para urinar. Em outros casos, o que ficou foi uma dor de cabeça intensa que só melhora deitado e que se arrasta por dias. A pergunta é sempre a mesma: isso é normal ou aconteceu algo errado?

Resposta direta: as anestesias no neuroeixo têm complicações descritas e reconhecidas, algumas frequentes e benignas, outras raras e graves. A apuração não parte da existência da complicação, e sim de quatro pontos: a avaliação pré-anestésica identificou contraindicações, a técnica e os registros são compatíveis com o esperado, o reconhecimento da complicação foi precoce, e a conduta adotada depois foi adequada e tempestiva.

Complicações comuns e benignas

Cefaleia após punção da dura-máter, dor no local, retenção urinária transitória e sintomas neurológicos transitórios são descritos e, na maior parte, se resolvem. Sua ocorrência isolada não indica falha, mas exige reconhecimento, orientação e tratamento adequado.

Complicações graves e raras

Hematoma no neuroeixo, abscesso epidural, lesão medular ou de raízes e aracnoidite são eventos raros. Neles, o fator decisivo costuma ser o tempo: o diagnóstico precoce e a intervenção rápida mudam substancialmente o prognóstico.

A avaliação pré-anestésica

Uso de anticoagulantes e antiagregantes, distúrbios de coagulação, infecção no local da punção, alterações anatômicas da coluna e doença neurológica prévia são fatores que exigem avaliação e, em alguns casos, contraindicam a técnica ou impõem intervalos específicos. O registro dessa avaliação é o primeiro documento examinado.

Anticoagulação e intervalos de segurança

Existem intervalos recomendados entre a última dose de determinados medicamentos e a punção ou a retirada do cateter. O desrespeito a esses intervalos é uma das causas descritas de hematoma no neuroeixo, e a verificação é objetiva: basta comparar horários de prescrição e de procedimento.

Técnica e registros do procedimento

Espera-se registro do nível de punção, do número de tentativas, de parestesias referidas pelo paciente durante a punção, do tipo de agulha e da dificuldade encontrada. Múltiplas tentativas e parestesia intensa registrada são elementos relevantes na análise posterior.

Reconhecimento precoce da complicação

Déficit motor que não regride no tempo esperado, dor lombar intensa e progressiva, febre associada, alteração de esfíncteres. Diante desses sinais, espera-se exame neurológico, imagem urgente e avaliação especializada. A demora nessa etapa é, com frequência, mais determinante que a punção em si.

A janela para a intervenção

Em hematoma e abscesso, a descompressão cirúrgica tem janela curta para preservar função. A reconstrução dos horários entre o primeiro sinal registrado, a solicitação da imagem, a realização do exame e a cirurgia é o núcleo técnico da apuração.

Informação prévia

O consentimento anestésico deve incluir as complicações relevantes da técnica proposta. Quando havia fatores de risco específicos, discute-se se a informação foi adequada àquela situação e se alternativas foram consideradas.

Nem toda lesão decorre de falha

Existem complicações que ocorrem mesmo com técnica correta e avaliação adequada, e existem lesões de origem cirúrgica ou posicional que são atribuídas indevidamente à anestesia. A perícia trabalha justamente com essa diferenciação.

Documentos que ajudam a reconstruir o caso

Avaliação pré-anestésica, prescrições de anticoagulantes com horários, ficha anestésica com a descrição da punção, descrição cirúrgica, evolução do pós-operatório com exame neurológico, solicitações e laudos de ressonância, horários de realização dos exames, descrição da eventual cirurgia de descompressão e relatórios de fisiatria e fisioterapia.

Quem costuma ser examinado

A análise pode alcançar o anestesiologista, a equipe assistencial e a instituição, especialmente quando a demora decorre de indisponibilidade de exame ou de sala. Em serviços públicos, aplica-se o regime próprio de responsabilidade estatal.

Limites desta análise

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação individual. A conclusão depende da perícia sobre a técnica e sobre a oportunidade do diagnóstico e do tratamento.

Perguntas frequentes

Fiquei com dormência depois da raquianestesia. É erro?

Não necessariamente. Existem sintomas transitórios descritos. O que importa é a evolução e a resposta dada pela equipe diante da persistência.

Tive dor de cabeça forte por dias. Isso é complicação conhecida?

Sim, é descrita após punção da dura-máter. Espera-se reconhecimento, orientação e tratamento adequado, inclusive medidas específicas quando indicadas.

Usava anticoagulante. Isso muda a análise?

Muda bastante. Os intervalos entre a última dose e o procedimento são verificáveis nos registros e integram o centro da apuração.

Demoraram a fazer a ressonância. Isso importa?

Importa muito. Em hematoma e abscesso, o tempo até o diagnóstico e a descompressão é determinante para o prognóstico.

Posso pedir a ficha anestésica e as prescrições?

Sim. Integram o prontuário e devem ser solicitadas por escrito, com protocolo, em cópia integral e legível.

Fontes oficiais consultadas

Este conteúdo foi elaborado com apoio nas seguintes fontes primárias:

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Sobre o autor

Advogado Phelipe Pereira Cardoso, do PHC Advogados, em reuniao no escritorio

Siga @phelipecardosoadv no Instagram →

Phelipe Pereira Cardoso é advogado desde 2009 e fundador do PHC Phelipe Cardoso Advogados. Atua principalmente em Direito Civil, Empresarial e do Consumidor, com experiência em responsabilidade civil, indenizações, contratos, conflitos patrimoniais e demandas envolvendo empresas e instituições financeiras.

Ao longo de sua trajetória, concedeu entrevistas e contribuiu com análises jurídicas para veículos como TV Globo, TV Record e Rádio Itatiaia, abordando temas de interesse público e questões relevantes das relações civis e de consumo. À frente do PHC, coordena a estratégia jurídica do escritório e combina experiência prática, linguagem clara e tecnologia aplicada ao Direito para conduzir casos de forma técnica, personalizada e orientada à solução.

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individual do seu caso por um advogado.

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