Tempo de leitura: 5 min · Publicado em 15/08/2026
Depois da extração do dente superior, o líquido começou a sair pelo nariz ao beber. Veio o assobio ao falar, o gosto ruim, a sensação de ar passando pela boca. Em outros casos, o que aconteceu foi pior: a raiz foi empurrada para dentro do seio maxilar e ficou lá.
Resposta direta: a proximidade entre as raízes dos molares e pré-molares superiores e o seio maxilar é uma realidade anatômica, e a comunicação bucossinusal é intercorrência descrita. Ela pode ocorrer mesmo com boa técnica. A apuração examina se houve avaliação de imagem prévia adequada, se a intercorrência foi reconhecida no ato, se o tratamento imediato foi feito e se o paciente foi informado e acompanhado.
Avaliação por imagem antes da extração
Radiografia periapical ou panorâmica pode indicar proximidade com o seio. Diante de sinais de risco, a tomografia permite avaliar a espessura óssea. Extrações de alto risco realizadas sem qualquer avaliação de imagem são o primeiro ponto examinado.
Reconhecimento no ato cirúrgico
Existem testes e sinais que indicam a comunicação durante o procedimento. Espera-se que o profissional verifique e registre. A comunicação percebida e tratada no mesmo ato tem prognóstico muito melhor do que a descoberta dias depois.
Tratamento imediato
Comunicações pequenas podem ser manejadas com sutura e cuidados; as maiores exigem retalho para fechamento. Espera-se também prescrição adequada, orientações específicas — evitar assoar o nariz, evitar sucção, evitar esforço — e retorno programado.
Quando a raiz é deslocada para o seio
O deslocamento de fragmento radicular para o interior do seio exige conduta específica e, em geral, remoção. A permanência do fragmento sem tratamento pode levar a sinusite persistente. A ausência de radiografia de controle, quando havia suspeita, é achado relevante.
Complicações da comunicação não tratada
Sinusite crônica, fístula bucossinusal permanente, infecção recorrente e necessidade de cirurgia maior. Cada uma dessas evoluções amplia o dano discutido e exige documentação própria.
Informação e encaminhamento
Ocorrida a intercorrência, o paciente deve ser informado com clareza e, se necessário, encaminhado a especialista. A omissão da informação, com o paciente descobrindo o problema em outro serviço, é o cenário que mais fragiliza a posição do profissional.
Cuidados pós-operatórios e adesão
Parte do sucesso do fechamento depende do cumprimento das orientações. Quando elas foram dadas e registradas, e não foram seguidas, isso é considerado na análise. Quando não há registro de orientação alguma, a discussão muda de lado.
Nem toda comunicação decorre de falha
Em anatomias de risco, a comunicação pode ocorrer mesmo com técnica cuidadosa. O que se examina é o preparo, o reconhecimento, o tratamento imediato e o acompanhamento, e não a simples ocorrência.
Documentos que ajudam a reconstruir o caso
Prontuário odontológico completo, radiografias e tomografias pré e pós-operatórias, descrição do procedimento com o registro da intercorrência, prescrições e orientações fornecidas, registros de todos os retornos, laudos de otorrinolaringologia e descrição de eventual cirurgia corretiva.
Quem costuma ser examinado
A análise pode alcançar o cirurgião-dentista, a clínica e, conforme o arranjo, a rede responsável pelo estabelecimento.
Limites desta análise
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação individual. A conclusão depende da avaliação pericial das imagens, dos registros e da conduta adotada após a intercorrência.
Perguntas frequentes
Sai líquido pelo nariz depois da extração. O que fazer?
Procurar avaliação imediatamente e registrar a queixa por escrito no serviço. O tratamento precoce melhora bastante o prognóstico.
A raiz foi para dentro do seio. Isso é erro?
É intercorrência descrita, mas exige conduta específica. O que se examina é o reconhecimento, a comunicação ao paciente e o tratamento adotado.
O dentista não avisou nada. Isso importa?
Importa. A omissão da informação é um ponto autônomo de discussão e costuma agravar a análise do caso.
Estou com sinusite desde então. Entra na discussão?
Entra, com laudos de otorrinolaringologia e exames de imagem que documentem a relação com o procedimento.
Quanto tempo tenho para discutir o caso?
O prazo varia conforme a relação jurídica e o momento em que se teve ciência do dano e de sua autoria. Reunir a documentação cedo é essencial.
Fontes oficiais consultadas
Este conteúdo foi elaborado com apoio nas seguintes fontes primárias:
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Sobre o autor

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Phelipe Pereira Cardoso é advogado desde 2009 e fundador do PHC Phelipe Cardoso Advogados. Atua principalmente em Direito Civil, Empresarial e do Consumidor, com experiência em responsabilidade civil, indenizações, contratos, conflitos patrimoniais e demandas envolvendo empresas e instituições financeiras.
Ao longo de sua trajetória, concedeu entrevistas e contribuiu com análises jurídicas para veículos como TV Globo, TV Record e Rádio Itatiaia, abordando temas de interesse público e questões relevantes das relações civis e de consumo. À frente do PHC, coordena a estratégia jurídica do escritório e combina experiência prática, linguagem clara e tecnologia aplicada ao Direito para conduzir casos de forma técnica, personalizada e orientada à solução.
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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individual do seu caso por um advogado.