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Reabsorção da raiz durante tratamento ortodôntico: o dentista pode responder?

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Por Phelipe Pereira Cardoso — advogado e sócio-fundador do PHC Advogados, na Savassi, em Belo Horizonte/MG.
Tempo de leitura: 5 min · Publicado em 15/08/2026

O aparelho ficou anos na boca. No fim do tratamento, uma radiografia mostrou que as raízes de alguns dentes estavam mais curtas do que no início. Em alguns casos, os dentes ficaram com mobilidade. E surgiu a dúvida sobre se aquilo era esperado, se poderia ter sido percebido antes e se alguém deveria ter avisado.

Resposta direta: algum grau de reabsorção radicular é achado comum em tratamentos ortodônticos e, na maior parte das vezes, não tem repercussão clínica. O que muda a análise é a extensão e a vigilância: existem exames de controle esperados durante o tratamento, e a identificação precoce permite ajustar forças ou interromper o movimento. A apuração examina se esse controle foi feito, registrado e comunicado.

Fatores ligados ao paciente

Predisposição individual, formato e morfologia radicular, histórico de trauma dental, hábitos parafuncionais e características do osso influenciam o risco. Esses fatores existem independentemente da atuação do profissional e devem ser identificados na documentação inicial.

Fatores ligados ao tratamento

Intensidade e duração das forças aplicadas, tipo de movimento realizado, uso de elásticos, duração total do tratamento e movimentações amplas. A discussão técnica costuma girar em torno da proporcionalidade entre o movimento pretendido e as forças empregadas.

Documentação inicial

Radiografias e, quando indicado, tomografia antes do início do tratamento permitem estabelecer o ponto de partida. Sem elas, torna-se difícil demonstrar se a reabsorção surgiu ou apenas progrediu durante o tratamento, e essa dificuldade costuma pesar contra quem tinha o dever de documentar.

Exames de controle durante o tratamento

Radiografias de controle em intervalos razoáveis são a medida de vigilância esperada. Tratamentos longos sem qualquer imagem intermediária, com reabsorção acentuada ao final, são o cenário mais frequentemente discutido.

Conduta diante do achado

Identificada reabsorção significativa, espera-se registro, comunicação ao paciente e ajuste do plano: redução de forças, pausa no movimento, reavaliação de objetivos ou encaminhamento. A continuidade do tratamento sem qualquer alteração, após achado documentado, é ponto objetivo de apuração.

Repercussão clínica

Reabsorções leves costumam não ter consequência funcional. Reabsorções acentuadas podem gerar mobilidade, comprometimento da longevidade do dente e necessidade de tratamento reabilitador. A extensão do dano depende dessa repercussão documentada.

Informação prévia

O risco de reabsorção deveria constar do termo de consentimento e da conversa inicial. A ausência de informação registrada é ponto autônomo de discussão, distinto da técnica empregada.

Nem toda reabsorção decorre de falha

É um achado descrito e frequente, muitas vezes ligado a fatores do próprio paciente. A existência da reabsorção, isoladamente, não demonstra excesso de força nem negligência: é a ausência de controle e de conduta diante do achado que costuma sustentar a discussão.

Documentos que ajudam a reconstruir o caso

Documentação ortodôntica inicial completa, radiografias e tomografias de controle com datas, prontuário com o registro de cada ajuste, plano de tratamento, contrato e orçamento, termo de consentimento, documentação final e laudos de avaliação especializada posterior.

Quem costuma ser examinado

A análise recai sobre o ortodontista responsável e, conforme o arranjo, sobre a clínica ou a rede que responde pelo estabelecimento.

Limites desta análise

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação individual. A conclusão depende da comparação pericial entre as imagens ao longo do tratamento e da avaliação sobre a vigilância exercida.

Perguntas frequentes

Minhas raízes encurtaram com o aparelho. Isso é erro?

Não necessariamente. Algum grau de reabsorção é comum. O que se examina é a extensão e a existência de controle e de conduta durante o tratamento.

O ortodontista nunca pediu radiografia de controle. Isso importa?

Importa. A vigilância por imagem em intervalos razoáveis é a medida esperada em tratamentos longos.

Perdi um dente por causa disso. E agora?

A perda amplia o dano discutido, incluindo o custo da reabilitação. É preciso reunir laudos, imagens e comprovantes de despesas.

Não fui avisado desse risco. Isso conta?

Conta. A informação prévia sobre riscos integra o dever do profissional e sua ausência é discutida de forma autônoma.

Posso pedir toda a documentação à clínica?

Sim. Ela integra o prontuário e deve ser solicitada por escrito, com protocolo, incluindo as imagens em mídia digital.

Fontes oficiais consultadas

Este conteúdo foi elaborado com apoio nas seguintes fontes primárias:

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Sobre o autor

Advogado Phelipe Pereira Cardoso, do PHC Advogados, em reuniao no escritorio

Siga @phelipecardosoadv no Instagram →

Phelipe Pereira Cardoso é advogado desde 2009 e fundador do PHC Phelipe Cardoso Advogados. Atua principalmente em Direito Civil, Empresarial e do Consumidor, com experiência em responsabilidade civil, indenizações, contratos, conflitos patrimoniais e demandas envolvendo empresas e instituições financeiras.

Ao longo de sua trajetória, concedeu entrevistas e contribuiu com análises jurídicas para veículos como TV Globo, TV Record e Rádio Itatiaia, abordando temas de interesse público e questões relevantes das relações civis e de consumo. À frente do PHC, coordena a estratégia jurídica do escritório e combina experiência prática, linguagem clara e tecnologia aplicada ao Direito para conduzir casos de forma técnica, personalizada e orientada à solução.

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individual do seu caso por um advogado.

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