Tempo de leitura: 5 min · Publicado em 15/08/2026
O tratamento de canal seguiu normalmente e o dente foi restaurado. Meses depois, com dor e inchaço, uma nova radiografia mostrou algo estranho dentro da raiz: um pedaço de instrumento. Ninguém tinha comentado nada. E é justamente esse silêncio que costuma transformar uma intercorrência em um problema maior.
Resposta direta: a fratura de instrumento endodôntico é uma intercorrência descrita e reconhecida, que pode ocorrer mesmo com técnica adequada, sobretudo em canais curvos, atresiados ou calcificados. Ela não configura, por si só, falha. O que costuma definir esses casos é outra coisa: se o paciente foi informado, se o fato foi registrado no prontuário e se a conduta posterior foi tecnicamente adequada.
Por que a fratura acontece
Instrumentos endodônticos sofrem fadiga com o uso e com a curvatura do canal. Anatomias complexas, canais calcificados e retratamentos aumentam o risco. Também influenciam o número de usos do instrumento e o respeito às recomendações do fabricante.
O dever de informar
Este é o ponto central. Ocorrida a fratura, espera-se comunicação imediata ao paciente, registro no prontuário, explicação sobre as opções e sobre o prognóstico. A omissão da informação, descoberta depois por outro profissional, é o que costuma sustentar a discussão com mais força.
Conduta possível após a fratura
As alternativas incluem tentativa de remoção, ultrapassagem do fragmento, manutenção do fragmento com selamento adequado e acompanhamento, ou encaminhamento a especialista. Nem sempre a remoção é indicada, porque pode fragilizar a raiz. A escolha precisa estar registrada e justificada.
Quando o fragmento pode ser mantido
Fragmentos em terço apical, sem infecção associada e com selamento adequado, podem ter evolução favorável e acompanhamento periódico. Nessas situações, a existência do fragmento não significa que o tratamento fracassou.
Quando há complicação
Dor persistente, lesão periapical, fístula, necessidade de retratamento, cirurgia parendodôntica ou perda do dente são desdobramentos possíveis. Aí a discussão passa a envolver também o custo do tratamento reparador e a repercussão funcional e estética.
Reembolso e refazimento
Parte dos casos se resolve com a assunção do tratamento corretivo pelo profissional ou pela clínica. Registrar por escrito qualquer acordo, com descrição do que será feito e prazos, evita discussão futura sobre o que foi combinado.
Documentação radiográfica
Radiografias iniciais, de odontometria, de prova e finais compõem o registro do tratamento. A ausência de radiografia final, em um caso com fragmento, dificulta demonstrar quando ele foi percebido e o que foi feito a respeito.
Nem toda fratura decorre de falha
A intercorrência é reconhecida na literatura e pode ocorrer com o profissional mais cuidadoso. Por isso a análise se volta principalmente para a informação, o registro e a conduta posterior, e não para a existência do fragmento em si.
Documentos que ajudam a reconstruir o caso
Prontuário odontológico completo, plano de tratamento, orçamento e contrato, todas as radiografias do tratamento, registros dos retornos, laudo do profissional que identificou o fragmento, tomografia quando realizada, e comprovantes das despesas com o tratamento corretivo.
Quem costuma ser examinado
A análise pode alcançar o cirurgião-dentista e a clínica, e conforme o arranjo, a rede responsável pelo estabelecimento. A discussão sobre informação e sobre conduta posterior costuma ser autônoma.
Limites desta análise
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação individual. A conclusão depende dos registros, da documentação radiográfica e da avaliação técnica sobre a conduta adotada após a intercorrência.
Perguntas frequentes
Quebrou uma lima no meu canal. Isso é erro?
Não necessariamente. É intercorrência reconhecida. O que se examina é a informação prestada, o registro e a conduta adotada em seguida.
O dentista não me avisou. Isso muda a análise?
Muda bastante. A omissão da informação é um ponto autônomo e costuma ser o eixo principal da discussão.
O fragmento precisa ser retirado?
Nem sempre. A remoção pode fragilizar a raiz. A decisão é técnica e deve estar registrada e justificada no prontuário.
Perdi o dente por causa disso. E agora?
A perda amplia o dano discutido, incluindo o custo do tratamento reabilitador. É preciso reunir laudos e comprovantes de despesas.
Posso pedir as radiografias do tratamento?
Sim. Integram o prontuário e devem ser solicitadas por escrito, com protocolo, de preferência em mídia digital.
Fontes oficiais consultadas
Este conteúdo foi elaborado com apoio nas seguintes fontes primárias:
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Sobre o autor

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Phelipe Pereira Cardoso é advogado desde 2009 e fundador do PHC Phelipe Cardoso Advogados. Atua principalmente em Direito Civil, Empresarial e do Consumidor, com experiência em responsabilidade civil, indenizações, contratos, conflitos patrimoniais e demandas envolvendo empresas e instituições financeiras.
Ao longo de sua trajetória, concedeu entrevistas e contribuiu com análises jurídicas para veículos como TV Globo, TV Record e Rádio Itatiaia, abordando temas de interesse público e questões relevantes das relações civis e de consumo. À frente do PHC, coordena a estratégia jurídica do escritório e combina experiência prática, linguagem clara e tecnologia aplicada ao Direito para conduzir casos de forma técnica, personalizada e orientada à solução.
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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individual do seu caso por um advogado.