Cobranças não reconhecidas, fraudes e segurança: queixas de maiores de 50 anos sobem 49,6%
O recorte reúne 40,9 mil reclamações finalizadas no Consumidor.gov.br entre janeiro e julho de 2026. Embora tenha crescido em número, caiu de 18,7% para 14,3% das queixas financeiras da mesma faixa etária.

As reclamações finalizadas de consumidores com 51 anos ou mais por cobranças não reconhecidas, fraude, clonagem, furto, roubo ou incidente de segurança somaram 40.918 entre janeiro e julho de 2026 no Consumidor.gov.br. No mesmo período de 2025, foram 27.350: alta de 49,6%.
O crescimento existe, mas não resume a história. No mesmo recorte temporal, todas as reclamações financeiras finalizadas de pessoas com 51 anos ou mais passaram de 146.252 para 285.947, alta de 95,5%. Assim, o conjunto específico analisado pelo PHC Data cresceu em quantidade, mas perdeu peso dentro desse universo: caiu de 18,7% para 14,3%.
Essa é uma medida de reclamações finalizadas na plataforma — não de vítimas únicas, golpes confirmados ou risco individual. O Consumidor.gov.br é um canal público de interlocução entre consumidores e empresas participantes; seus dados são valiosos para identificar padrões de demanda, mas não substituem registro policial, perícia, apuração bancária ou decisão judicial.
O PHC Data filtrou reclamações da área de serviços financeiros de pessoas entre 51 e 60 anos, 61 e 70 anos e mais de 70 anos. Dentro delas, selecionou problemas cujo texto original indicava não reconhecimento, fraude/clonagem/furto/roubo ou incidente de segurança. A regra de seleção, os arquivos mensais, a data de acesso e os limites estão descritos ao final desta reportagem.
O que cresceu — e o que o dado não diz
O maior bloco permaneceu sendo o de problemas classificados como “não reconhecimento”. São situações em que o consumidor relata, por exemplo, cobrança de serviço não contratado, compra ou saque que não reconhece, ou negativação ligada a uma cobrança desconhecida. Foram 23.847 registros desse tipo entre janeiro e julho de 2025; um ano depois, 34.313.
O grupo cujo texto trazia referência explícita a fraude, clonagem, furto ou roubo foi menor, mas cresceu mais rápido: de 2.360 para 4.822 registros. Incidentes de segurança passaram de 1.143 para 1.783. Esses três blocos são uma classificação operacional do campo “Problema”; eles tornam a série comparável, mas não substituem uma perícia sobre o fato narrado.
Há uma diferença importante entre as palavras usadas no formulário e uma conclusão sobre o evento. Uma cobrança pode ser desconhecida porque houve fraude, erro de cadastro, falha de processamento, contratação questionada ou outra circunstância. A reclamação é um ponto de partida relevante para investigar o comportamento do mercado, não a decisão final sobre quem tem razão.
O resultado seguro é: cresceram os relatos selecionados na plataforma. Não é possível converter esse aumento, sem outros dados, em uma taxa de fraudes contra pessoas mais velhas.
Registros selecionados por rótulo do problema
| Rótulo aplicado | 2025 | 2026 | Variação |
|---|---|---|---|
| Não reconhecimento | 23.847 | 34.313 | +43,9% |
| Fraude, clonagem, furto ou roubo | 2.360 | 4.822 | +104,3% |
| Incidente de segurança | 1.143 | 1.783 | +56,0% |
| Total | 27.350 | 40.918 | +49,6% |
Uma mudança também ocorreu dentro do recorte
O “não reconhecimento” seguiu dominante, mas perdeu participação: era 87,2% dos registros selecionados em 2025 e passou a 83,9% em 2026. Já o grupo com rótulo explícito de fraude, clonagem, furto ou roubo subiu de 8,6% para 11,8%. A leitura mais prudente é que a composição dos relatos selecionados mudou; não que a natureza real de todos os episódios tenha sido apurada pela plataforma.
A faixa de 51 a 60 anos foi a que mais apareceu no recorte de 2026, com 18.475 registros e 45,2% do total. As faixas de 61 a 70 anos e mais de 70 anos tiveram, respectivamente, 14.914 e 7.529 registros. Isso não permite dizer que pessoas de 51 a 60 anos são “as mais atingidas”. Para afirmar isso seria necessário comparar as contagens com denominadores compatíveis: quantidade de usuários, clientes, transações, uso do canal e propensão a reclamar em cada faixa etária.
É exatamente nesse ponto que muitos levantamentos perdem qualidade. Uma contagem alta pode refletir mais uso de serviços financeiros, maior presença digital, maior conhecimento da plataforma, perfil das empresas participantes ou repetição de uma mesma pessoa em mais de um registro. Sem esses controles, o dado deve ser descrito como contagem de relatos — e não como risco individual.
O que se sabe sobre a avaliação de solução
O portal também registra a avaliação do consumidor depois da resposta da empresa. Entre as reclamações selecionadas que foram avaliadas, 1.711 de 6.503 foram marcadas como resolvidas em 2025; em 2026, foram 1.901 de 9.501. A participação das avaliações “Resolvida” nesse subconjunto caiu de 26,3% para 20,0%.
Isso não é o índice oficial de solução do Consumidor.gov.br. Pela regra divulgada pela plataforma, as reclamações não avaliadas também entram no numerador de seu indicador agregado. Aplicada essa fórmula ao recorte, a proporção é de 82,5% em 2025 e 81,4% em 2026. São medidas diferentes: a primeira descreve somente quem avaliou; a segunda reproduz a regra pública do portal. Nenhuma delas comprova, individualmente, que houve reparação integral ou encerra uma discussão jurídica.
Essa diferença não é um detalhe técnico. Ela mostra por que uma leitura responsável precisa dizer qual cálculo está usando, em vez de tratar uma ausência de avaliação como confirmação de satisfação ou de insatisfação do consumidor.
O que esse retrato permite acompanhar
O levantamento mostra uma pauta que merece monitoramento, não um diagnóstico fechado sobre segurança bancária. Os próximos meses dirão se a diferença entre o crescimento do recorte e o da base financeira se mantém; se os rótulos de fraude/clonagem continuam ganhando espaço; e se os tipos de problema se alteram. Para responder por que isso acontece, seriam necessárias evidências que esta base não reúne.
Em casos individuais, a responsabilidade depende de documentos, cronologia, forma de autenticação, histórico da conta, comunicação do fato e circunstâncias da operação. A base administrativa não contém essas provas, não mede resultados judiciais nacionais e não sustenta ranking de instituições. Sua utilidade é outra: mostrar, com fonte rastreável, como consumidores descrevem determinados problemas em um canal público.
Como esta reportagem foi feita
O PHC Data analisou arquivos mensais de reclamações finalizadas do Consumidor.gov.br, fotografados e preservados em 8 de setembro de 2026. A matéria compara janeiro–julho de 2025 com janeiro–julho de 2026, sem anualizar resultados.
- Universo: reclamações finalizadas na área “Serviços Financeiros”, com faixas “entre 51 a 60 anos”, “entre 61 a 70 anos” ou “mais de 70 anos”.
- Seleção: o campo “Problema” foi classificado em categorias exclusivas por termos: fraude/clonag; reconhec; segurança. No recorte aparecem seis rótulos originais: cobrança por serviço/produto não contratado, não reconhecido ou não solicitado; cobrança de compra/saque não reconhecido; negativação indevida referente a cobrança não reconhecida; clonagem, fraude, furto e roubo; negativação indevida sem contratação do serviço — fraude bancária; e vazamento de dados ou outros incidentes de segurança.
- Unidade: uma reclamação finalizada, não pessoa única, ocorrência comprovada ou decisão judicial.
- Cálculos: crescimento do recorte = (40.918 ÷ 27.350 − 1) × 100 = 49,6%; participação no universo financeiro 51+ = 27.350 ÷ 146.252 e 40.918 ÷ 285.947.
- Limites: a plataforma não é amostra da população; não há denominador de clientes, usuários ou transações por idade; uma pessoa pode constar mais de uma vez; a classificação parte do rótulo original da reclamação.
Como citar: PHC Data, “Cobranças não reconhecidas, fraudes e segurança: queixas de maiores de 50 anos sobem 49,6%”, 20 set. 2026. Dados de Consumidor.gov.br; cálculos e classificação PHC Data.
Fontes: Dados Abertos do Consumidor.gov.br e metodologia e funcionamento da plataforma. Arquivos brutos, URLs de download, hashes, o CSV agregado e a regra de classificação estão preservados no acervo PHC Data.