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STJ decide que corretora de criptomoedas responde por fraude dentro da própria conta do cliente

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Por Phelipe Pereira Cardoso — advogado e sócio-fundador do PHC Advogados, na Savassi, em Belo Horizonte/MG.
Tempo de leitura: 5 min · Publicado em 03/09/2026

O Superior Tribunal de Justiça decidiu que plataformas de criptoativos respondem objetivamente por fraudes que acontecem dentro do próprio sistema, mesmo quando o golpista usou login, senha e segundo fator de autenticação corretos do cliente. A Quarta Turma equiparou essas plataformas a instituições financeiras para esse efeito, e só afasta a responsabilidade se a exchange provar, de forma robusta, que a falha não foi dela.

O que aconteceu

Um cliente pediu à plataforma a transferência de uma fração mínima de bitcoin — pouco mais de um milésimo de moeda. Só que a conta dele registrou a saída de quase quatro bitcoins inteiros, então avaliados em cerca de duzentos mil reais, para um destinatário desconhecido. A plataforma alegou que o computador do próprio cliente havia sido invadido por um hacker, mas não apresentou nenhuma prova concreta disso.

O que a Quarta Turma decidiu

O STJ decidiu que plataformas de criptoativos, para fins de responsabilidade civil, devem ser tratadas como instituições financeiras — mesma lógica que já se aplica a bancos em casos de fraude eletrônica. Isso significa que a exchange responde objetivamente pelo prejuízo de operações realizadas dentro do próprio sistema, mesmo que o acesso tenha ocorrido com login, senha e segundo fator informados corretamente, porque isso não afasta, por si só, uma falha de segurança da própria plataforma.

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A exchange só escaparia dessa responsabilidade se comprovasse, de forma robusta, que a culpa foi exclusivamente do cliente — por exemplo, apresentando o e-mail de confirmação específico daquela transação fraudulenta, documento que normalmente é enviado antes de operações de valor relevante. Como a plataforma não apresentou esse e-mail nem qualquer outra prova concreta da invasão alegada, foi condenada a ressarcir o cliente.

Um contraponto que ajuda a entender o critério

Vale comparar esse caso com outro que já tratamos aqui: quando o STJ decidiu que uma corretora de criptomoedas não responde por golpe ocorrido em carteira externa de outra plataforma. A diferença está em onde a fraude aconteceu: naquele caso, o golpe se deu fora do sistema da corretora, numa carteira externa; neste, a saída fraudulenta dos bitcoins ocorreu dentro da própria conta do cliente na exchange, sob a segurança que a própria plataforma deveria garantir. Mesmo tratando-se do mesmo tipo de golpe — fraude com criptomoeda —, o resultado muda completamente a depender de onde e como o dinheiro efetivamente saiu.

O que isso muda na prática

Para quem opera com criptoativos, a decisão reforça que a exchange não pode simplesmente alegar invasão externa sem provas quando o problema ocorre dentro do próprio sistema dela. Já mostramos aqui, aliás, o que acontece quando uma exchange é invadida e a criptomoeda é roubada — o mesmo raciocínio de responsabilidade objetiva dentro do próprio sistema se aplica, com a plataforma tendo o ônus de provar que não houve falha dela.

Perguntas frequentes

Login e senha corretos já provam que o cliente autorizou a transação?

Não, segundo essa decisão. Mesmo com login, senha e segundo fator corretos, a plataforma pode ser responsabilizada se não comprovar, com prova robusta, que a culpa foi exclusiva do cliente.

Toda fraude com criptomoeda gera responsabilidade da plataforma?

Não. O critério que decide é onde a fraude ocorreu: dentro do sistema da própria plataforma, a responsabilidade tende a ser objetiva; fora dele, como em uma carteira externa, o resultado costuma ser diferente.

Fontes oficiais consultadas

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Sobre o autor

Phelipe Cardoso, advogado do PHC Advogados - Experiencia, Estrategia, Compromisso
Advogado Phelipe Pereira Cardoso, do PHC Advogados, em reunião no escritório

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Phelipe Cardoso é advogado e fundador do PHC Advogados. Atua principalmente em Direito Civil, Empresarial e do Consumidor, com experiência em responsabilidade civil, indenizações, contratos, conflitos patrimoniais e demandas envolvendo empresas e instituições financeiras.

Ao longo de sua trajetória, concedeu entrevistas e contribuiu com análises jurídicas para veículos de comunicação, abordando temas de interesse público e questões relevantes das relações civis e de consumo. À frente do PHC, coordena a estratégia jurídica do escritório e combina experiência prática, linguagem clara e tecnologia aplicada ao Direito para conduzir casos de forma técnica, personalizada e orientada à solução.


Entrevistas, artigos e análises jurídicas em veículos de comunicação.

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