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Atropelamento na Faixa de Pedestres e Omissão de Socorro: o que Diz a Jurisprudência

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Por Phelipe Pereira Cardoso — advogado e sócio-fundador do PHC Advogados, na Savassi, em Belo Horizonte/MG.
Tempo de leitura: 4 min · Atualizado em 08/09/2026

Colisões com pedestres somam duas camadas de análise: quem agiu com culpa no atropelamento e a conduta do motorista após o acidente — se prestou socorro ou fugiu.

Atropelamento na faixa: presunção de culpa

O art. 70 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) assegura prioridade ao pedestre na faixa, e o art. 69 trata das regras de travessia. Combinados, esses dispositivos fazem recair sobre o condutor o dever de reduzir a velocidade e redobrar a atenção ao se aproximar de faixas e cruzamentos. Verificado o atropelamento dentro da faixa, milita presunção relativa de que o condutor não observou esse dever de cuidado, cabendo a ele o ônus de provar causa excludente — como culpa exclusiva do pedestre ou fato de terceiro. Não se trata, porém, de responsabilidade absoluta: o caso concreto ainda admite análise de causalidade e eventual contribuição da própria vítima para o resultado.

Precedentes do TJDFT

No processo 2015.07.1.002780-5 (5ª Vara Cível de Taguatinga), motorista embriagado que atropelou pedestre na faixa e fugiu foi condenado, afirmando o juízo que a cobertura do DPVAT não afasta a responsabilidade civil autônoma.

Omissão de socorro: o entendimento do STJ

No REsp 1.512.001/SP (4ª Turma, rel. min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 27/04/2021), o STJ fixou que a fuga sem prestar socorro não gera dano moral automático (in re ipsa) — exige-se prova de que o abandono agravou concretamente o dano, considerando fatores como a gravidade da lesão, se a vítima recebeu socorro de terceiros, seu estado de consciência e as consequências do atraso no atendimento.

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Dupla repercussão: cível e o art. 304 do CTB

O motorista que foge sem socorrer pode responder criminalmente pelo art. 304 do CTB (omissão de socorro em acidente de trânsito) e, de forma autônoma, civilmente, por eventual agravamento comprovado do dano à vítima. As duas esferas não se confundem: a omissão de socorro é, em si, conduta penalmente típica e grave, mas isso não significa que ela gere, sozinha e automaticamente, o dever de indenizar por dano moral na esfera cível. São análises distintas — uma sobre a gravidade da conduta em si (relevante para o Direito Penal), outra sobre o efetivo agravamento do dano sofrido pela vítima em razão da omissão (relevante para a responsabilidade civil).

Como se somam as duas análises no caso concreto

Na prática, a prioridade do pedestre na faixa desloca o ônus da prova ao motorista quanto à culpa pelo atropelamento em si; já a fuga do local, embora sempre relevante na esfera penal, exige prova de agravamento concreto do dano para justificar indenização por dano moral na esfera cível, sem prejuízo da responsabilização criminal autônoma pelo crime de omissão de socorro.

Fontes oficiais consultadas

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Sobre o autor

Phelipe Cardoso, advogado do PHC Advogados - Experiencia, Estrategia, Compromisso
Advogado Phelipe Pereira Cardoso, do PHC Advogados, em reunião no escritório

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Phelipe Cardoso é advogado e fundador do PHC Advogados. Atua principalmente em Direito Civil, Empresarial e do Consumidor, com experiência em responsabilidade civil, indenizações, contratos, conflitos patrimoniais e demandas envolvendo empresas e instituições financeiras.

Ao longo de sua trajetória, concedeu entrevistas e contribuiu com análises jurídicas para veículos de comunicação, abordando temas de interesse público e questões relevantes das relações civis e de consumo. À frente do PHC, coordena a estratégia jurídica do escritório e combina experiência prática, linguagem clara e tecnologia aplicada ao Direito para conduzir casos de forma técnica, personalizada e orientada à solução.


Entrevistas, artigos e análises jurídicas em veículos de comunicação.

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