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Copiaram minha patente: medidas contra a infração e pedido de liminar

Inventor examinando dispositivo técnico patenteado ao lado de cópia semelhante com desenhos técnicos na bancada

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Por Phelipe Pereira Cardoso — advogado e sócio-fundador do PHC Advogados, na Savassi, em Belo Horizonte/MG.
Tempo de leitura: 11 min · Atualizado em 11/08/2026

Quando uma empresa suspeita que sua patente foi copiada, deve primeiro confirmar a vigência do título, comparar o produto ou processo suspeito com cada elemento das reivindicações e preservar provas lícitas da exploração. Dependendo do resultado, podem ser avaliadas notificação, negociação de licença, produção antecipada de prova, ação para cessar a infração, pedido de tutela de urgência e indenização.

A semelhança visual entre produtos não prova, sozinha, violação de patente. A patente protege a solução técnica delimitada pelas reivindicações. Também é necessário antecipar defesas como ausência de reprodução, nulidade, uso anterior, exaustão e exceções legais.

Quais direitos a patente confere?

A Lei da Propriedade Industrial permite ao titular impedir terceiro não autorizado de produzir, usar, colocar à venda, vender ou importar produto objeto da patente.

Quando a patente protege processo, o titular pode impedir o uso do processo e a exploração do produto obtido diretamente por ele.

A proteção também alcança contribuição para que terceiros pratiquem atos infratores. Entretanto, o alcance concreto depende das reivindicações, interpretadas com apoio do relatório e dos desenhos.

O que caracteriza infração?

Existe infração literal quando o produto ou processo reproduz todos os elementos de uma reivindicação aplicável. Se falta característica essencial, a violação literal pode não estar configurada.

A legislação também reconhece proteção contra meios equivalentes aos elementos reivindicados. A equivalência não significa que qualquer solução com a mesma finalidade infringe. Deve existir correspondência técnica juridicamente relevante.

A análise precisa ser realizada reivindicação por reivindicação. O título, o resumo e as figuras não substituem essa comparação.

Questão O que deve ser verificado Prova útil
Vigência Concessão, anuidades, prazo e extinções Histórico oficial do INPI e RPI
Escopo Elementos de cada reivindicação Carta patente e processo administrativo
Produto suspeito Estrutura, funcionamento e comercialização Amostra, manual, nota fiscal e perícia
Exploração comercial Produção, venda, oferta ou importação Anúncios, contratos, catálogos e documentos fiscais
Prejuízo Impacto econômico e relação causal Dados de vendas, margens e participação de mercado

Como confirmar se a patente está vigente?

O certificado não basta. É necessário consultar o histórico no INPI, verificando anuidades, prazo, transferências, licenças, renúncia, nulidade e extinção.

A patente de invenção vigora por 20 anos e o modelo de utilidade por 15 anos contados do depósito, salvo extinção anterior.

Se o título foi transferido, deve ser verificado quem possui legitimidade para agir. Contratos de licença podem atribuir poderes ao licenciado, mas isso depende da redação e das anotações pertinentes.

Pedido pendente permite ação por infração?

Pedido ainda não concedido não equivale a patente. O alcance final pode ser reduzido ou o pedido pode ser indeferido. Saiba mais sobre guia de propriedade industrial.

A LPI prevê indenização por exploração indevida entre a publicação e a concessão, limitada ao objeto efetivamente patenteado. A pretensão depende da concessão futura.

Apresentar pedido pendente como exclusividade definitiva ou exigir cessação sem considerar essa condição pode gerar reação da outra parte.

Como comparar o produto com as reivindicações?

Uma técnica útil é criar quadro de correspondência. Cada elemento da reivindicação é colocado em linha e comparado com a característica encontrada no produto ou processo.

Se a característica não pode ser observada externamente, podem ser necessários desmontagem, testes, análise laboratorial ou perícia.

A comparação deve evitar conclusões baseadas apenas no resultado. Duas máquinas podem realizar a mesma função por mecanismos técnicos diferentes.

Como preservar provas?

A compra regular de amostra com nota fiscal costuma ser mais segura do que obter produto por método questionável. Embalagem, número de lote, manual e condições de aquisição devem ser preservados.

Anúncios digitais podem ser documentados com endereço, data e conteúdo. Dependendo da relevância, ata notarial ou mecanismo técnico de preservação pode fortalecer a autenticidade.

Fotografias devem mostrar o conjunto e os detalhes. Se o produto será desmontado, a cadeia de custódia e o registro de cada etapa ajudam a evitar contestação.

Não é recomendável invadir sistema, apropriar-se de segredo ou induzir empregado a violar confidencialidade. Prova ilícita pode comprometer a estratégia.

Quando utilizar uma notificação extrajudicial?

A notificação pode informar a patente, indicar atos identificados, solicitar esclarecimentos e propor cessação ou negociação.

Ela pode resolver situações em que o terceiro desconhecia o direito ou está disposto a licenciar. Também registra ciência da controvérsia.

Entretanto, uma acusação precipitada pode provocar ação declaratória, pedido de nulidade ou divulgação pública do conflito. Antes do envio, devem ser revisados validade, escopo e provas.

É possível negociar licença?

Sim. A licença pode transformar o conflito em receita e permitir exploração controlada. O contrato deve definir território, campo de uso, prazo, remuneração, auditoria, qualidade, confidencialidade e tratamento de melhorias.

A negociação não significa admitir fragilidade. Em determinados mercados, a licença é mais eficiente que uma disputa longa. Entenda melhor prazo da patente e o domínio público antes de decidir.

Também podem ser negociadas transição, retirada de estoque, alteração técnica ou fornecimento autorizado.

Quando cabe pedido de liminar?

A tutela de urgência pode ser requerida para interromper fabricação, oferta, venda, importação ou outra exploração enquanto a ação é julgada.

O requerente precisa demonstrar probabilidade do direito e perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo. Patente vigente, comparação técnica clara e evidências de comercialização fortalecem a análise.

O juiz pode exigir caução e adotar medida proporcional. A liminar não é automática pelo simples certificado, especialmente quando a infração ou a validade exige perícia complexa.

Quais medidas podem ser pedidas?

A ação pode buscar cessação, retirada de produtos, abstenção de fabricação, indenização e outras providências adequadas.

Também pode ser necessária preservação de provas antes da ação principal, principalmente quando o funcionamento interno não é acessível.

Pedidos excessivamente amplos, capazes de bloquear produtos não abrangidos, podem ser questionados. A medida deve acompanhar o escopo das reivindicações.

Como são calculados os danos?

A LPI prevê critérios para apuração de perdas e danos, utilizando o resultado mais favorável ao prejudicado entre os parâmetros legais.

Podem ser considerados benefícios que o titular teria obtido, vantagens auferidas pelo infrator ou remuneração que teria sido paga por uma licença.

Não existe valor automático. É necessário demonstrar período, volume, margem, participação de mercado e relação entre a infração e o prejuízo.

A apuração pode ocorrer em fase própria e depender de documentos contábeis.

Existe responsabilidade criminal?

A LPI tipifica determinadas condutas relacionadas à violação de patentes. A via criminal possui requisitos, prazos e procedimentos próprios.

Nem toda disputa técnica configura crime. Divergência razoável sobre escopo, validade e equivalência pode exigir exame aprofundado.

A utilização da esfera criminal apenas como pressão negocial deve ser evitada. A materialidade e a autoria precisam ser demonstradas.

Quais defesas o acusado pode apresentar?

Uma defesa central é a não infração: o produto não contém determinado elemento ou utiliza solução tecnicamente diferente.

O acusado também pode alegar nulidade da patente como matéria de defesa. A ação destinada a declarar nulidade possui competência própria e participação do INPI. Para aprofundar, veja licença compulsória de patente.

Outras defesas incluem uso privado sem finalidade comercial, finalidade experimental, preparação individual de medicamento nas condições legais, exaustão, atos destinados a obter registro para exploração após a expiração e direito de usuário anterior.

O que é direito de usuário anterior?

A pessoa de boa-fé que já explorava o objeto no Brasil antes do depósito ou prioridade pode, em determinadas condições, continuar a exploração sem ônus na forma anterior.

O direito possui limites e normalmente acompanha o negócio diretamente relacionado. Não autoriza expansão irrestrita.

Documentos anteriores, como notas fiscais, projetos, produção e contratos, são essenciais para essa defesa.

Patente de processo apresenta dificuldade de prova?

Sim. O processo pode ocorrer dentro da fábrica e não ser visível no produto.

A LPI estabelece regra específica sobre o ônus relacionado a produto obtido por processo patenteado, mediante determinação judicial.

Perícia, documentos de fabricação e características do produto podem ser relevantes. Pedidos de exibição precisam respeitar segredo de negócio e proporcionalidade.

Onde a ação deve ser proposta?

A ação civil por infração entre particulares é normalmente processada na Justiça Estadual. A ação de nulidade de patente deve tramitar na Justiça Federal com participação do INPI.

Como validade e infração podem se relacionar, a estratégia processual precisa considerar competência, conexão e defesa apresentada.

A escolha inadequada do foro pode atrasar a tutela e ampliar custos.

Riscos de acusar sem base suficiente

Uma notificação pública ou comunicação a clientes pode gerar responsabilidade se contiver afirmações falsas, ameaças desproporcionais ou tentativa de excluir concorrente sem fundamento.

Antes de contatar marketplace, distribuidores ou consumidores, é necessário confirmar que o produto está abrangido pela patente.

A defesa legítima do direito deve ser proporcional e baseada em análise técnica.

Como fortalecer a gestão da patente?

O titular deve manter pagamentos, titularidade e licenças atualizados. Também deve arquivar relatórios técnicos, amostras e informações de mercado.

Monitoramento de concorrentes, feiras, importações e publicações ajuda a detectar infrações cedo.

A redação da patente é decisiva: reivindicações excessivamente estreitas podem permitir alternativas, enquanto reivindicações amplas sem suporte podem ser anuladas.

Perguntas frequentes

Produto parecido sempre infringe patente?

Não. É necessário comparar os elementos das reivindicações. Semelhança estética pode ser tema de desenho industrial, não de patente funcional.

Posso exigir retirada imediata apenas com o protocolo?

Pedido pendente não equivale a patente concedida. Os efeitos anteriores dependem da futura concessão e do alcance final.

Preciso enviar notificação antes da ação?

Nem sempre existe obrigação geral, mas a notificação pode ser útil. Em urgência, avisar previamente pode permitir ocultação de provas, razão pela qual a estratégia depende do caso.

A patente pode ser anulada durante a disputa?

Sim. O acusado pode questionar validade, e a nulidade pode ser arguida como defesa ou em ação própria.

Existe valor fixo de indenização?

Não. A apuração utiliza critérios legais e provas econômicas. Nenhum resultado ou quantia pode ser garantido antecipadamente.

Conclusão

A reação à possível cópia começa por vigência, escopo e prova. A patente não protege o conceito comercial inteiro, mas as soluções delimitadas pelas reivindicações.

Notificação, licença, liminar e indenização são alternativas possíveis, mas dependem de análise técnica e jurídica. Antecipar as defesas de não infração e nulidade reduz o risco de iniciar disputa baseada apenas na aparência dos produtos.

Fontes oficiais consultadas

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Sobre o autor

Advogado Phelipe Pereira Cardoso, do PHC Advogados, em reuniao no escritorio

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Phelipe Pereira Cardoso é advogado desde 2009 e fundador do PHC Phelipe Cardoso Advogados. Atua principalmente em Direito Civil, Empresarial e do Consumidor, com experiência em responsabilidade civil, indenizações, contratos, conflitos patrimoniais e demandas envolvendo empresas e instituições financeiras.

Ao longo de sua trajetória, concedeu entrevistas e contribuiu com análises jurídicas para veículos como TV Globo, TV Record e Rádio Itatiaia, abordando temas de interesse público e questões relevantes das relações civis e de consumo. À frente do PHC, coordena a estratégia jurídica do escritório e combina experiência prática, linguagem clara e tecnologia aplicada ao Direito para conduzir casos de forma técnica, personalizada e orientada à solução.

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individual do seu caso por um advogado.

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