Tempo de leitura: 5 min · Publicado em 15/08/2026
A cirurgia foi rápida, o dente saiu, o pós-operatório parecia comum. Mas a dormência no lábio, no queixo ou na língua não passou. Uma semana, um mês, seis meses. Morder a bochecha sem sentir, derramar líquido ao beber, perder parte do paladar: são queixas frequentes de quem convive com isso.
Resposta direta: a extração de terceiros molares tem risco reconhecido de alteração de sensibilidade, especialmente quando o dente está próximo do canal mandibular ou em posição desfavorável. Esse risco não desaparece com a melhor técnica. A apuração examina se houve avaliação de imagem compatível com a complexidade do caso, se o risco foi informado, se a técnica registrada é adequada e se houve encaminhamento oportuno quando o sintoma persistiu.
Avaliação por imagem antes da cirurgia
Sinais radiográficos de proximidade com o canal mandibular indicam a necessidade de tomografia. Realizar uma extração de alto risco apenas com panorâmica, quando havia sinais de alerta, é um dos pontos mais examinados.
Classificação da dificuldade
Existem classificações que descrevem a posição e a profundidade do dente e orientam o planejamento e o encaminhamento. Casos de alta complexidade podem indicar realização por profissional com formação específica, e essa avaliação integra a análise.
Técnicas alternativas em casos de risco
Em situações de proximidade extrema com o nervo, existem alternativas descritas para reduzir o risco. A discussão sobre sua consideração depende de haver registro do planejamento e da avaliação de imagem que a justificaria.
Nervo lingual e nervo alveolar inferior
São estruturas distintas, com sintomas diferentes: alteração na língua e no paladar em um caso, alteração no lábio e no queixo no outro. A descrição correta do território afetado é importante e deveria constar dos registros de retorno.
A conduta diante da persistência
Espera-se acompanhamento com mapeamento da área afetada, registro da evolução e encaminhamento para avaliação especializada quando o sintoma persiste além do período esperado. A orientação genérica de aguardar, repetida por meses sem qualquer registro, é achado frequente.
Informação prévia e consentimento
O risco de alteração de sensibilidade deve constar da informação prestada antes do procedimento, com registro. Quando o consentimento é genérico ou inexistente, esse é um ponto autônomo de discussão.
Repercussão funcional e estética
A alteração pode afetar fala, alimentação, higiene e convívio social, além de gerar dor crônica em parte dos casos. A dimensão do dano depende dessa repercussão documentada ao longo do tempo, e não apenas do diagnóstico inicial.
Nem toda dormência decorre de falha
Alterações transitórias relacionadas ao edema e ao próprio ato anestésico são comuns e se resolvem. E existem lesões que ocorrem mesmo com técnica correta em dentes de posição desfavorável. A existência do sintoma não demonstra erro isoladamente.
Documentos que ajudam a reconstruir o caso
Prontuário odontológico completo, radiografias e tomografia pré-operatórias, plano de tratamento, termo de consentimento, descrição do procedimento, registros de todos os retornos com as queixas e o mapeamento da área afetada, laudos de avaliação especializada e relatórios de tratamento posterior.
Quem costuma ser examinado
A análise pode alcançar o cirurgião-dentista, a clínica e, conforme o arranjo, a rede responsável pelo estabelecimento. Cada um responde por fundamentos distintos.
Limites desta análise
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação individual. A conclusão depende da perícia sobre as imagens e a técnica e da documentação da evolução do sintoma.
Perguntas frequentes
Dormência após tirar o siso é normal?
Alterações transitórias são descritas e comuns. O que exige investigação é a persistência além do período esperado, sem acompanhamento adequado.
O dentista só fez panorâmica. Isso é falha?
Depende dos sinais presentes na radiografia. Havendo indícios de proximidade com o canal, a tomografia é a conduta esperada.
Faz seis meses e não melhorou. O que fazer?
Buscar avaliação especializada, registrar a evolução e solicitar formalmente a documentação completa ao consultório onde o procedimento foi feito.
Assinei um termo de consentimento. Isso impede a discussão?
Não. O termo demonstra informação, mas não afasta a análise sobre a técnica e sobre a conduta adotada depois do procedimento.
Quanto tempo tenho para discutir o caso?
O prazo varia conforme a relação jurídica e o momento em que se teve ciência do dano e de sua autoria. Reunir a documentação cedo é essencial.
Fontes oficiais consultadas
Este conteúdo foi elaborado com apoio nas seguintes fontes primárias:
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Sobre o autor

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Phelipe Pereira Cardoso é advogado desde 2009 e fundador do PHC Phelipe Cardoso Advogados. Atua principalmente em Direito Civil, Empresarial e do Consumidor, com experiência em responsabilidade civil, indenizações, contratos, conflitos patrimoniais e demandas envolvendo empresas e instituições financeiras.
Ao longo de sua trajetória, concedeu entrevistas e contribuiu com análises jurídicas para veículos como TV Globo, TV Record e Rádio Itatiaia, abordando temas de interesse público e questões relevantes das relações civis e de consumo. À frente do PHC, coordena a estratégia jurídica do escritório e combina experiência prática, linguagem clara e tecnologia aplicada ao Direito para conduzir casos de forma técnica, personalizada e orientada à solução.
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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individual do seu caso por um advogado.

